Produção industrial do Brasil cresce menos que o esperado em fevereiro

A produção industrial brasileira registrou uma expansão decepcionante de 0,7% em fevereiro em relação a janeiro, quando havia caído 0,8%, revelaram dados oficiais divulgados nesta terça-feira o que evidencia as dificuldades de recuperação da principal economia latino-americana.

A estimativa média de 23 analistas consultados pelo jornal econômico Valor foi de um crescimento mensal de 1,1%. Em relação a fevereiro de 2018, houve um crescimento de 2%.

Nos dois primeiros meses do ano, a produção industrial brasileira registrou contração de 0,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto no acumulado de 12 meses o índice é positivo, com crescimento de 0, 5%.

O entusiasmo dos investidores pela chegada de Jair Bolsonaro ao poder em janeiro foi rapidamente atenuado por disputas políticas dentro do próprio governo, que questionam a aprovação antecipada da reforma previdenciária, considerada essencial pelos mercados para a limpeza da contas públicas.

A produção industrial brasileira cresceu 2,5% em 2017, após dois anos de colapso no contexto de uma recessão histórica, mas em 2018 desacelerou para 1,1%. O PIB também cresceu 1,1% em 2017 e 2018.

A última pesquisa semanal Focus das expectativas do mercado prevê um crescimento da produção industrial de 2,5% em 2019 e um aumento do PIB de 1,98%, numa rápida deterioração das expectativas (no início de janeiro, as projeções eram de um aumento de 3,04% na produção industrial e de 2,53% do PIB).

Em fevereiro, houve contração em 10 dos 16 setores analisados, começando com o das indústrias extrativas (-14,8%), sob pressão da catástrofe causada pela ruptura de uma barragem de mineração em Brumadinho, que em janeiro deixou mais de 300 mortos e desaparecidos e forçou a Vale a paralisar sua produção em vários lugares.

Houve também contração na produção de vestuário e acessórios (-4,8%) e produção de metal (-2%).

As principais influências positivas devem-se à fabricação de automóveis, reboques e carrocerias (+ 6,7%), alimentos (+ 3,2%) e coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (+ 4,3%).

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