Londres luta contra o tempo e busca saída para o bloqueio do Brexit

Primeira-ministra Theresa May se reúne nesta terça-feira em busca de uma solução

A dez dias da data limite para encontrar uma solução, a primeira-ministra Theresa May reuniu nesta terça-feira um governo britânico muito dividido em busca de uma solução para o Brexit que, advertiu a UE, cada vez corre mais o risco de ser brutal.

Quase três anos depois do referendo de 2016 e após o Reino Unido ter superado a data estabelecida inicialmente para o Brexit - 29 de março de 2019 -, os britânicos permanecem no escuro sobre que acontecerá no futuro imediato.

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Primeira Ministra Britânica Theresa May (Foto: Daniel LEAL-OLIVAS / AFP)

O Tratado de Retirada que a primeira-ministra negociou com Bruxelas foi rejeitado três vezes pelo Parlamento, mas os deputados tampouco conseguiram chegar a um acordo sobre qualquer opção alternativa.

Diante do cenário, May convocou um conselho de ministros para esta terça-feira: ela se reuniu durante a manhã com seu "gabinete político" para um encontro de crise que não tem hora para acabar.

Em seguida devem acontecer mais duas horas de discussões com a presença de todos os integrantes do governo.

Assim como o Partido Conservador, o Executivo está muito dividido entre os que desejam uma saída radical e os partidários de um longo adiamento ou de um Brexit suave para evitar um cenário brutal, que afetaria gravemente a economia.

E esta semana o governo deve decidir se apresentará pela quarta vez à Cámara dos Comuns o acordo negociado por May com Bruxelas.

"O gabinete pode perfeitamente dizer ao Parlamento: 'demos a oportunidade de que encontrassem algo e vocês fracassaram. Votem o acordo de May, caso contrário na próxima semana há um perigo real de Brexit sem acordo'", disse à AFP o professor Anand Menon, do King's College de Londres.

 

 

Buscando uma alternativa ao Tratado de Retirada, os deputados retiraram do governo o controle da agenda parlamentar para votar sobre outras propostas.

Mas na segunda-feira à noite, em outra sessão dramática, o Parlamento foi incapaz de fazer as concessões necessárias para chegar a um acordo.

Isto deixa o país um pouco mais próximo do abismo, com o tempo cada vez mais curto.

"Nunca desejei um Brexit sem acordo, mas é cada dia mais provável", declarou nesta terça-feira, em Bruxelas, o principal negociador da UE, Michel Barnier.

"A UE dos 27 (todos os membros sem o Reino Unido) está preparada agora para esta eventualidade", advertiu.

"Não esqueçamos, para começar, que já temos um acordo e que foi aprovado por Theresa May, o governo britânico, o Conselho Europeu e o Parlamento europeu em 25 de novembro do ano passado, há quatro meses", destacou Barnier.

Há duas semanas, a UE concedeu um pouco mais de tempo ao Reino Unido para evitar um Brexit brutal, mas o bloco está começando a perder a paciência com o caos político em Londres e deixou claro que o país deve apresentar uma solução até 12 de abril.

A data não foi escolhida ao acaso, pois este dia é o último para a apresentação de candidaturas às eleições europeias de maio e se o Reino Unido decidir solicitar um adiamento longo do Brexit terá que participar no pleito.

O adiamento, no entanto, não seria automático e Londres deve apresentar argumentos para justificar o mesmo, o que significa que May precisa encontrar uma solução antes da reunião extraordinária que a UE convocou para 10 de abril em Bruxelas.

Se os deputados tivessem conseguido chegar a um acordo sobre uma solução alternativa a seu texto, paradoxalmente teriam ajudado involuntariamente a primeira-ministra.

A opção que chegou mais perto da aprovação, por 273 votos contra 276, foi a de um Brexit suave com a manutenção do país em uma união alfandegária com a UE.

E May poderia ter usado a iniciativa como uma ameaça para tentar persuadir os eurocéticos mais teimosos de seu partido de que as condições que ela negociou com Bruxelas são preferíveis a este cenário ou à convocação de um segundo referendo, opção rejeitada por apenas 292 votos contra 280.

Mas diante do fracasso do Parlamento, a primeira-miistra voltou a encarar o quebra-cabeça de como convencer os quase 30 deputados que ainda faltam para aprovar seu acordo.

 

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