Novos documentos reforçam acusações de interferência contra Trudeau

A ex-ministra canadense da Justiça Jody Wilson-Raybould, que causou a pior crise política do mandato de Justin Trudeau, divulgou nesta sexta-feira novos documentos, incluindo uma gravação de uma conversa, para respaldar sua acusação de interferência política por parte do primeiro-ministro em um processo legal.

Wilson-Raybould renunciou em fevereiro após assegurar que foi submetida a uma pressão "inapropriada" por parte de Trudeau e sua equipe para evitar um julgamento da empresa canadense SNC-Lavalin.

A ex-ministra entregou à comissão parlamentar encarregada de investigar o caso cerca de 40 páginas de documentos, incluindo a gravação de uma conversa telefônica que teve com um representante de Trudeau.

Na gravação o secretário do Conselho Privado Michael Wernick, próximo a Trudeau, garante que o chefe de governo queria "alcançar seus objetivos de uma maneira ou de outra", segundo a transcrição da conversa.

Disse também que quer "que o governo faça tudo que estiver a seu alcance para evitar a perda de 9 mil postos de trabalho", o que corresponde ao total de funcionários da empresa.

Pouco depois, Wilson-Raybould responde que a conversa "é absolutamente inapropriada e constitui uma interferência política".

Trudeau e sua equipe enfrentam há cerca de dois meses uma grave crise política, após ser acusado pela ex-ministra de exercer uma pressão "inadequada" e "ameaças veladas" para evitar uma ação contra o grupo canadiense SNC-Lavalin, processado por corrupção na Líbia.

"Não se trata de salvar empregos, mas da interferência nos assuntos de uma de nossas instituições fundamentais... equivale a violar o princípio constitucional de independência jurídica", denuncia Wilson-Raybould na gravação.

A ex-ministra da Justiça foi transferida para a pasta de Assuntos de Veteranos numa reestruturação do gabinete no início de janeiro, antes de deixar o governo em fevereiro. Wilson-Raybould considera que mudança de cargo no governo foi resultado de sua recusa de ceder à suposta pressão do primeiro- ministro.

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