Azul decola e Boeing afeta Gol

Com a proposta de compra da Avianca, ações da Azul sobem a GOL cai após acidente com o Boeing 373 MAX 8

O dia foi atribulado para a aviação brasileira. A Azul enviou proposta para a compra do espólio da Avianca Brasil e decolou no mercado de ações, com alta de 6,45%. A GOL, por outro lado, sentiu o impacto do incidente envolvendo o Boeing da Air Ethiopia e fechou em queda de 2,59%.

A Avianca entrou com o pedido de recuperação judicial em dezembro do ano passado, após registrar prejuízo de R$144,6 milhões. A nova empresa, uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), conforme a Lei de Falências e Recuperação Judicial, inclui ativos selecionados pela Azul como o certificado de operador aéreo da Avianca Brasil, 70 pares de slots e cerca de 30 aeronaves Airbus A320.

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Acidente na Etiópia afeta papéis da GOL, única empresa que tem esse mesmo modelo na sua frota (Foto: Reprodução you tube)

O acordo, de U$105 milhões, é não-vinculante, como destaca a Azul em fato relevante, e a expectativa é que o processo de aquisição da UPI dure até três meses. Com o negócio a empresa deve se tornar a segunda maior aérea do País. Segundo Gabriela Moro, analista da Eleven Financial Research, caso seja aprovada, a aquisição dos slots muda consideravelmente o cenário para a Azul, que detém 5% dos slots em Congonhas e com acordo passaria a ter 12%. "Ela deve aumentar esse market share também no Santos Dumont (RJ) de 27% para 40% e em Guarulhos de 11% para 22%", acrescentou em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Além disso, diz a analista, a Azul consegue evitar que os outros players ganhem força e tem a opção de crescer em outras regiões. "A própria Azul já sinalizou que os novos slots não vão ser direcionados para rotas internacionais, apenas rotas domésticas", acrescentou.

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Azul pretende ganhar mais participação no mercado doméstico ao comprar operações da Avianca (Foto: Rafael Seixas)

As ações da Gol, por outro lado, apresentaram queda de 2,59% no pregão desta dessa segunda-feira, 11. O ponto mais baixo do preço da ação se deu às 11:48, quando os papéis chegaram ao valor de R$25,95. A queda dos papéis da empresa foi impulsionada pelo comunicado da Azul e pela reação negativa após o incidente envolvendo o Boeing 737 MAX 8 da Air Ethiopia.

China, Indonésia, Coréia do Sul e Ilhas Cayman suspenderam operações com a aeronave, refletindo nos papéis da Boeing. A empresa americana sofreu uma queda de 5,36% em Wall Street, com pico de queda de 13,5% no início do pregão.

A Gol é a única companhia aérea brasileira que possui aviões deste modelo, versão mais recente da aeronave comercial mais vendida no mundo, e opera com sete deles em rotas para os Estados Unidos, América do Sul e Caribe. A empresa ainda encomendou mais 135 aeronaves para renovar sua frota, com 11 previstas já para o segundo semestre de 2019.

A empresa informou, em comunicado, que suspendeu temporariamente as operações comerciais envolvendo essa aeronave. Os clientes que tinham viagens marcadas com esses aviões serão comunicados e realocados em outros voos.

Neste domingo, um avião saindo de Adis Abeba, capital da Etiópia, rumava para Nairóbi, capital do Quênia , e caiu pouco tempo depois da decolagem, deixando 157 mortos. No final de outubro de 2018, outro acidente com outro avião do mesmo modelo, operado pela Lion Air, da Indonésia, deixou 189 mortos.(Com agências)

 



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