Ghosn deixar prisão disfarçado de operário foi 'amador', diz advogado

Um dos advogados de Carlos Ghosn admitiu na sexta-feira (8) um desastroso "fracasso" da imagem do magnata do automóvel, que saiu da prisão vestido com uniforme de operário e se desculpou, alegando que o que ele queria era que seu cliente não atraísse atenção.

Gravado e fotografado de vários pontos com um boné azul, um uniforme de operário, óculos e uma máscara branca, o ex-presidente da Renault-Nissan foi alvo de ridicularização na mídia.

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Empresário Carlos Ghosn (Foto: Kazuhiro Nogi / AFP)

Um de seus defensores, Takashi Takano, explicou em seu blog que ele teve essa ideia de evitar a atenção dos jornalistas posicionados em frente à prisão e impedi-los de seguir o ex-detento para sua nova casa.

"Fui eu quem planejou e preparei esse disfarce", escreveu ele. "Por causa desse plano amador, a reputação que Ghosn construiu ao longo de sua vida foi manchada", lamentou.

O estratagema não enganou ninguém. Uma multidão de jornalistas esperava a saída do ex-diretor, com uma impressionante operação de mídia, de helicópteros e guindastes a andaimes, para imortalizar a saída de Ghosn da prisão, após ser detido em 19 de novembro de 2018.

"Foi um fracasso", reconheceu o advogado. "Prejudiquei muitas pessoas. Sinto muito".

Ghosn foi libertado na quarta-feira depois de pagar uma fiança de 1 bilhão de ienes (cerca de R$ 33 milhões), depois de mais de 100 dias de detenção em Tóquio por alegações de desonestidade financeira.

No entanto, a mídia conseguiu localizar a nova residência de Ghosn e nesta sexta-feira os jornalistas o filmaram saindo de sua casa, usando um chapéu escuro, com sua esposa e filhas.

O empresário franco-libanês-brasileiro está proibido de sair do Japão, não tem acesso à internet e suas partidas e chegadas são registradas por câmeras de vigilância.

 

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