Direção dos juros é de baixa com dólar fraco antes de emprego nos EUA

Os juros futuros contrariaram a previsão de alta nos primeiros negócios do dia, com viés de baixa, em linha com o ajuste em queda na cotação do dólar à vista na abertura. O mercado, contudo, também se mostra sensível ao dólar futuro, que já chegou a subir.

À medida que a cotação do futuro ganha força, as taxas retornam para perto da estabilidade, sem, contudo, virar para cima. A liquidez é reduzida, em meio à expectativa dos investidores pelo relatório de emprego dos EUA (payroll) de fevereiro, às 10h30 (de Brasília). Segundo operadores, pode definir o dia.

Às 9h40, o DI para janeiro de 2021 apontava taxa de 7,16%, ante 7,19% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2023 indicava 8,31%, de 8,36% ontem no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2025 era de 8,85%, ante 8,89%. No câmbio, o dólar à vista caía 0,27%, a R$ 3,8733.

A cotação devolve parte do ganho recente. Na quinta-feira, fechou no pico do ano, a R$ 3,8837 no mercado à vista, zerando perdas acumuladas no período. O indutor do avanço do dólar foi o temor sobre a desaceleração global, além das incertezas na reforma da Previdência. Já os juros futuros haviam terminado a etapa estendida da véspera em queda, atribuída a um tuíte do presidente Jair Bolsonaro sobre a reforma no fim do dia.

Mas nesta sexta-feira, 8, os investidores estão no aguardo de sinais quanto ao andamento da Previdência, na Câmara, a partir da semana que vem.

No mercado internacional, dados decepcionantes da balança comercial da China ampliaram as preocupações com a desaceleração da economia mundial. Hoje, o tombo de 20,7% das exportações chinesas em fevereiro, bem maior que o declínio previsto (6%) se somou à contínua repercussão, nas mesas de operação, dos anúncios do Banco Central Europeu (BCE). Ontem, a autoridade monetária adotou novas medidas de estímulo monetário e cortou fortemente suas projeções de crescimento da zona do euro.

Internamente, o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 1,25% em fevereiro, o que representa forte aceleração em relação ao fechamento de janeiro (0,07%). Divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o resultado do indicador ficou dentro do intervalo das previsões coletadas pelo Projeções Broadcast, mas acima da mediana das estimativas (0,87% e 1,40%; mediana de 1,15%).