Bolsonaro entra na reforma

No Twitter e na 1ª transmissão semanal ao vivo presidente defende Nova Previdência

Disposto a superar o mal estar de sua postagem de Carnaval, o presidente Jair Bolsonaro voltou ontem ao Twitter para defender a aprovação da reforma da Previdência, dizendo que ela segue os padrões mundiais e combaterá privilégios. Segundo o presidente, a reforma também é o primeiro passo para possibilitar outros avanços, como a aprovação de uma reforma tributária e o enxugamento da máquina pública.

Após a publicação do presidente na rede social, a bolsa brasileira, que acumulava a 4ª queda seguida, passou a reagir e fechou com leve alta de 0,13%. Analistas de mercado acreditam que o presidente acertou ao se posicionar sobre o assunto, depois das declarações polêmicas no Twitter, que levaram a questionamentos sobre a dedicação dele à aprovação da reforma. O reforço veio mais forte com a inauguração, após o fechamento do pregão, da primeira sessão semanal de lives nas redes sociais às quintas-feiras, às 18:30.

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Entre o porta-voz, Rêgo Barros, e o general Heleno, presidente inaugura as transmissões semanais (Foto: Reprodução Vídeo Facebook)

Congresso soberano

Na transmissão, via Facebook, o presidente disse que o Congresso vai ser soberano na reforma da Previdência, mas que ele espera que a medida não seja muito "desidrata" pelos parlamentares. "Pretendemos, sim, aprovar esta reforma que está lá (no Congresso). Só esperamos que ela não seja muito desidratada", disse o presidente.

Bolsonaro voltou a dizer que a reforma da Previdência é necessária para que o Brasil "não se transforme numa Grécia", que entrou em recessão em 2009, quando gastava cerca de 14% do Produto Interno Bruto com a Previdência, valor similar aos 13% que o Brasil gasta atualmente. "Queremos aprovar essa reforma, mas depende do parlamento. A gente espera que o parlamento aprova essa medida".

No vídeo institucional apresentado nas redes sociais, ele explica que a nova previdência: "Será justa para todos, sem privilégios, ricos e pobres, servidores públicos, políticos ou trabalhadores privados. Todos seguirão as mesmas regras, de idade e tempo de contribuição". Ele também ressaltou que também haverá reforma do sistema de proteção social dos militares. "Respeitaremos as diferenças, mas não excluiremos ninguém e com justiça", disse e completou: "Quem ganha mais contribuirá com mais, quem ganha menos contribuirá com menos ainda", completou. Ele lembrou que, hoje, os homens mais pobres já se aposentam aos 65 anos e as mulheres aos 60 anos; enquanto isso os mais ricos se aposentam sem idade mínima. "Isso vai mudar. A Nova Previdência fará a equiparação. As pessoas de todas as classes vão se aposentar com a mesma idade, mas isso não ocorrerá do dia para a noite, estão previstas regras de transição". Na transmissão ao vivo, Bolsonaro teve a companhia do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e do porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros.

"Os avanços que o Brasil precisa dependem da aprovação da Nova Previdência. É a partir dela que o país terá condições de estabilizar as contas, potencializar investimentos, viabilizar uma rígida reforma tributária e enxugar ainda mais a máquina pública, reduzindo nossas estatais", escreveu mais cedo no Twitter.

Militares incluídos

De manhã, na cerimônia dos 211 anos do Corpo de Fuzileiros Navais, no Rio de Janeiro, o presidente afirmou ter confiança de que a reforma da Previdência será aprovada, e que os militares serão incluídos. Em um discurso de cinco minutos, Bolsonaro disse que vai cumprir a missão imposta a ele no dia 1º de janeiro.

"Entraremos, sim, em uma nova Previdência, que atingirá os militares, mas não esqueceremos das especificidades de cada Força", disse Bolsonaro, referindo-se ao Exército, Marinha e Aeronáutica.

Guedes no Senado

O ministro da Economia, Paulo Guedes, deve ir ao Senado na quarta ou quinta-feira que vem falar sobre a agenda da equipe econômica. A ideia é fazer uma exposição sobre a proposta de um novo pacto federativo e apresente ao Senado uma agenda além da reforma da Previdência.