Maia: BPC travará a reforma

Presidente da Câmara quer retirar da discussão pontos que possam criar resistências aos pontos mais relevantes

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), listou ontem, em São Paulo, três pontos que julga serem mais sensíveis aos parlamentares durante a discussão da proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo: a mudança no Benefício de Prestação Continuada (BPC), na aposentadoria rural e no tempo mínimo de contribuição.

Em evento do jornal "Folha de S.Paulo", Maia disse que o impacto fiscal do BPC não é relevante, então, não há necessidade de tratar do benefício, destinado a pessoas mais pobres que não conseguiram contribuir ao longo da vida. "O custo de debater o BPC na reforma da Previdência é muito alto", disse. "Se não há impacto, porque vamos tratar dessa parte da sociedade que é excluída e não consegue trabalhar", afirmou.

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, sugere a Bolsonaro usar as redes sociais (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Maia indicou que a aposentadoria rural poderia ser retirada da proposta. "O principal problema da aposentadoria é fraude. Se nós resolvermos essa distorção, daqui para frente talvez esse déficit não cresça tanto", disse.

Também declarou que o aumento do tempo mínimo de contribuição, de 15 para 20 anos, também será um tema sensível no Congresso. "É uma alteração pesada. Se 70% das pessoas já não conseguem se aposentar pelo tempo de contribuição, e você faz uma ampliação muito rápida, de 15 para 20, essa pode ser uma decisão que mais atrapalha do que ajuda", disse o parlamentar", disse.

Para o presidente da Câmara, a comunicação da proposta será "decisiva" para a aprovação da reforma. Sugeriu que o grupo político do presidente Bolsonaro, tão "competente" no uso das redes sociais na campanha, deveria lançar mão do instrumento para comunicar a proposta à sociedade.

Ele também questionou a estratégia do governo em fazer a articulação política por meio das bancadas temáticas. Para ele, a negociação deveria se dar por meio das bancadas dos partidos.

Num primeiro movimento em direção aos oposicionistas após a eleição, o presidente Jair Bolsonaro convidou o PDT e o PSB para a reunião hoje com líderes partidários da Câmara, no Palácio do Planalto. A ideia é abrir diálogo com siglas que, mesmo fora da base aliada, podem dar votos para aprovar a reforma da Previdência.