Huawei também mira tela dobrável e 5G

A gigante chinesa Huawei apresentou, ontem, um novo telefone dobrável, aproveitando o Mobile World Congress (MWC), o encontro mundial da telefonia em Barcelona, para chamar a atenção para as suas inovações após as acusações de espionagem feitas pelo governo dos Estados Unidos no final do ano passado. O lançamento vem quatro dias depois de a concorrente Samsung fazer o mesmo em São Francisco (EUA). A novidade reforça a tese de que a tela dobrável, além da internet 5G deve orientar as fabricantes de telefones no curto prazo.

"Nossos engenheiros trabalharam nesta tela por mais de três anos", disse o representante da empresa chinesa Richard Yu. O smartphone, que estará disponível para compra ainda este ano, será vendido a partir de 2.299 €, preço bem acima dos 1.745 € do concorrente Galaxy Fold da Samsung. "É muito caro", admitiu Yu. "Mas estamos trabalhando para reduzir o preço", disse.

Macaque in the trees
Visitors take images of Huawei's new foldable 5G smartphone HUAWEI Mate X at the Mobile World Congress (MWC), on the eve of the world's biggest mobile fair, on February 24, 2019 in Barcelona. - Phone makers will focus on foldable screens and the introduction of blazing fast 5G wireless networks at the world's biggest mobile fair starting tomorrow in Spain as they try to reverse a decline in sales of smartphones. (Photo by Josep LAGO / AFP) (Foto: Josep Lago/AFP)

Dobrado, o telefone tem uma tela de 6,6 polegadas (16,8 cm) na frente, um pouco maior que a do iPhone Xs Max, e outra de 6,3 polegadas (16 cm) na parte de trás. Desdobrado, obtém um tablet com uma tela de cerca de 8 polegadas (20,3 cm).

Além disso, o grupo chinês mostrará aos operadores do mundo e organizadores do MWC seus avanços em 5G, a quinta geração de redes móveis que proporcionarão conectividade quase instantânea para smartphones e objetos como carros e robôs.

A Huawei enfrenta a preocupação expressa pelos Estados Unidos sobre a possibilidade de a China usar seus equipamentos, com ou sem o envolvimento da empresa, para espionar as comunicações nas futuras redes 5G. "Temos enfrentado nos últimos meses vários desafios relacionados à segurança cibernética, levantados por vários países sob a pressão de uma potência", disse a repórteres em Barcelona Guo Ping, presidente rotativo do grupo chinês.

O ano de 2018 foi marcado pela proibição de equipamentos chineses nas futuras redes 5G nos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Japão. O governo dos Estados Unidos pediu que seus principais aliados europeus sigam o exemplo, o que pode representar um golpe para a Huawei, cujo primeiro mercado fora da China é a Europa.

Mas o horizonte na Europa não parece tão negativo para a Huawei. Em janeiro, o operador alemão Deutsche Telekom expressou temores num relatório interno sobre os riscos de atrasos na implantação de 5G se o governo der as costas à Huawei, uma preocupação também levantada pela GSMA, a principal associação da indústria de comunicações móveis. Além disso, em 18 de fevereiro, o serviço de inteligência britânico informou que é possível limitar os riscos de espionagem ligados ao uso de equipamentos da Huawei, o que pode ser lido como um aceno à fabricante.