Desemprego recorde no Rio

Estado teve alta recorde de 138% na taxa de desemprego entre 2014 e 2018; no período taxa do país subiu 81%.

O IBGE revelou ontem que, na contramão da taxa média de desocupação de 2018, que baixou dos 12,7% de 2017 para 12,3%, 13 capitais do país, entre elas o Rio de Janeiro, tiveram no ano passado a maior taxa de desocupação dos últimos sete anos. No Rio, a taxa de desocupação média do 4º trimestre fechou em 12,6%, acima da média nacional.

O IBGE apresentou levantamento da taxa de desocupação nos últimos sete anos (2012 a 2018). Em 2012, a taxa de desocupação no país era de 7,4% e no Rio de Janeiro já era maior, de 7,5%. Com as obras contratadas para a Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016, a taxa de desemprego no estado cedeu para 6,3% em 2014, abaixo dos 6,8% do país. Mas, com o fim das obras, a desocupação no Rio foi a que mais cresceu em todo o país de 2014 até 2018: 138%. A população ocupada atingiu o recorde de 7,411 milhões de trabalhadores em 2015. Desceu a 7,235 milhões em 2016 (perda de 170 mil vagas). Apesar da recuperação em 2017 e 2018, o número final do ano passado: 7,304 milhões, mas ainda abaixo dos 7,330 milhões empregados em 2012. No fim de 2018 taxa de desocupação fechou em 15% da força de trabalho em dezembro de 2018.

São Paulo teve taxa ainda maior: 14,2%. No Sudeste, Vitória teve 12,5%. A capital com maior desocupação em relação à força apta ao trabalho, foi Macapá (AP), com 18,2%, seguido dos 18,1% de Manaus. O menor índice foi em Santa Catarina, de 6,5%. Na região metropolitana do Grande Rio, o desemprego chegou a 15,1%, contra 14,7% na Grande São Paulo. Entre as grandes regiões metropolitanas do país, as maiores taxas de desocupação ocorriam em Salvador (18,7%) e Recife (18,3%.

Metade das capitais do Norte e dois terços das do Nordeste estão nessa situação. Apenas no Centro-Oeste nenhuma capital apresentou alta na taxa de desocupação. Também houve aumentos no desemprego em oito regiões metropolitanas. Para o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, a comparação entre os dois recortes geográficos dá uma indicação das características dessa desocupação: "percebe-se que o problema é mais forte nos grandes centros urbanos, acompanhando as maiores concentrações da população. É um desemprego metropolitano, bem maior do que no interior do país".

Mesmo nos estados em que a desocupação caiu entre 2017 e 2018, a situação não melhorou no longo prazo. "Observamos que nenhuma capital ou região metropolitana teve redução na desocupação entre 2014 e 2018. Ao contrário, há aumentos bastante expressivos no período", explica Cimar. Para o pesquisador, outro sintoma do problema é a carteira de trabalho, que sofreu queda em todos os estados entre 2017 e 2018. Na comparação mais longa, desde 2014 as quedas são ainda mais expressivas. "Isso revela a qualidade do emprego sendo gerado nos últimos anos. Com a redução da carteira de trabalho e o aumento da informalidade, a contribuição para a Previdência também cai, o que cria problemas mais à frente", conclui Cimar.

Taxa trimestral

O IBGE informou que, do 3º para o 4º trimestre, a taxa caiu em apenas seis das 27 unidades da federação, com destaque para o Sergipe, que passou de 17,5% para 15%, e Pernambuco: de 16,7% para 15,5%. O desemprego subiu na Bahia - de 16,2% para 17,4% - e se manteve estatisticamente estável em outras 20 unidades da federação.