PSL quer pressa no PL para militares

Brasília e São Paulo - O governo terá de agilizar o envio da proposta de mudança nas regras de aposentadoria dos militares caso queira evitar resistências à reforma da Previdência no Congresso, alertou ontem o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO). O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, prometeu encaminhar o projeto de lei em até 30 dias, mas o líder do PSL - partido do presidente Bolsonaro - defende que a equipe econômica "agilize" o envio num prazo de 10 dias.

"Acredito que o governo vai ter que agilizar essa reforma dos militares, para não ficar parecendo que vão ter tratamento diferenciado", afirma. "Tem que trazer todos juntos, não podemos tratar de forma separada. Independentemente de o quórum ser menor (para militares), temos que conhecer os dois textos para saber que o tratamento está sendo igualitário." Waldir diz que o governo ainda está construindo a sua base de apoio, mas assegura que não há fragmentação interna no PSL. Mas já adianta que vai recolher assinaturas para apresentar emenda que inclua os guardas municipais na regra especial de policiais, que permite aposentadoria com 55 anos.

Impacto fiscal

O secretário de Previdência, Leonardo Rolim, previu que a reforma teria um impacto fiscal de R$ 10 bilhões já em 2019 e de R$ 20 bilhões a partir do ano que vem, em apresentação a analistas do mercado financeiro, em São Paulo.

Rolim disse ainda que não há tempo para fazer uma transição "demorada". A proposta prevê prazo de 12 anos. "Se tivéssemos feito reforma na década de 1990, o Brasil seria outro e a transição seria mais suave", disse. "O Brasil envelhece rápido. Estamos envelhecendo em 50 anos o que a Europa fez em 100. Perdemos boa parte desse tempo", disse.

Já o secretário especial adjunto de Previdência e Trabalho do ministério da Economia, Bruno Bianco, afirmou ter a expectativa de que a reforma seja aprovada até o fim do 1º semestre, antes do recesso parlamentar, ou no máximo no início do 2º semestre. "É uma imposição do tempo, não tem como fugir disso", afirmou Bianco.

Aposentadoria no campo

Defensora, como deputada, de idades mínimas diferentes para homens e mulheres do campo, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse ontem, em Brasília, que a idade mínima de 60 anos para a aposentadoria rural de ambos os sexos "é ótimo". "Hoje a expectativa de vida do brasileiro é de 75 anos. É preciso olhar todo o contexto da reforma, que precisa ser feita. Acho que até (a equipe econômica) foi condescendente com os trabalhadores rurais, que não precisarão chegar a 65 anos para homens e 62 para mulheres".

Mas ela admite que a contribuição de R$ 600 anuais por grupo familiar para contar tempo da aposentadoria rural, deve ser discutido pelo Congresso. "Esse valor é uma forma de comprovação, mas tudo pode ser negociado. Esse ponto será alvo de discussão porque pode ser difícil atingir R$ 600 de comercialização no Nordeste", completou a ministra. (Estadão Conteúdo)