Dólar à vista reduz alta com chegada de Bolsonaro à Câmara

O mercado de câmbio iniciou esta quarta-feira, 20, sem direção única, oscilando perto da estabilidade, em meio a ajustes de posições em relação ao fechamento em baixa da sessão anterior. Logo depois, o dólar à vista passou a subir.

Segundo operadores, o mercado precificou a primeira derrota do governo na Câmara, ocorrida na terça-feira, 19. Para alguns analistas políticos e econômicos ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. essa postura parlamentar demonstra a dificuldade do governo Bolsonaro na articulação política na Câmara.

Mais cedo, no entanto, a moeda americana devolveu parte do ganho em meio à chegada do presidente Jair Bolsonaro à Câmara para entregar a proposta de reforma da Previdência.

Às 9h30, horário em que Bolsonaro chegou à Câmara, o dólar à vista subia 0,17%, a R$ 3,7229, após registrar máxima em R$ 3,7344. O dólar futuro para março recuava 0,09%, a R$ 3,7235, ante máxima pouco antes em R$ 3,7355 (+0,25%).

A decisão dos deputados contra interesses do governo, ontem, ocorreu em meio à divulgação de áudios pelo ex-ministro da Secretaria-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que mostram confronto de versões entre ele e Bolsonaro sobre conversas.

Dos áudios revelados nesta terça pela revista Veja, com o que seria o diálogo de Jair Bolsonaro com Gustavo Bebianno, consta preocupação do presidente com a investigação da suspeita de desvio de dinheiro público no PSL, por meio de candidatas que teriam simulado participação na campanha.

O material divulgado pela publicação versa sobre mensagens trocadas por Bebianno com Bolsonaro enquanto o presidente ainda estava internado, no dia 12, terça-feira passada, conforme o ministro relatara ao jornal O Globo. Bolsonaro, no entanto, ainda de acordo com os áudios, não considera que as mensagens via WhatsApp se configurem conversa.

Porém, para especialistas em comunicação e mídias sociais, a troca de áudios com o ex-ministro Bebianno pelo WhatsApp configura uma conversa. "É fora da realidade ele (Bolsonaro) negar que seja uma conversa", afirmou o especialista em comunicação digital Luli Radfahrer, da USP. "Uma conversa é a troca de informações em voz entre pessoas independente do canal, por telefone, por Skype e também por WhatsApp", disse Radfahrer.

"Quando interessa, é conversa. Quando não interessa, não é conversa", afirmou a professora Pollyana Ferrari, especialista em mídias sociais no curso de Comunicação e Multimeios da PUC-SP.

Pesquisador do programa de pós-graduação em Comunicação da ESPM, Luiz Peres Neto disse que "troca de mensagens já configura uma conversa". "É uma troca de signos." Ele falou ainda sobre o que considera "riscos" de se utilizar o WhatsApp. "Se uma pessoa decide revelar a conversa, não há nenhum tipo de infração no dispositivo jurídico regular. Me preocupa um presidente que utiliza como meio de conversa com seus ministros um aplicativo como esse. Demonstra um certo amadorismo", afirmou.