Realização e política influenciam em baixa na Bolsa

O Ibovespa abriu em queda nesta sexta-feira, 15, mas tentou seguir em alta assim que foi divulgada a informação de continuidade das negociações comerciais entre Estados Unidos e China na semana que vem, em Washington, e que houve progresso nas conversas desta semana. Contudo, o principal índice da B3 que retomou a marca dos 98 mil pontos, passou a operar com instabilidade.

Conforme operadores, o quadro político ainda requer cuidado. "Subiu muito ontem. Pode sofrer um ajuste", diz um profissional. Na quinta, o índice teve alta de 2,27%, aos 98.015,09 pontos.

Além disso, há o risco político que pode atrapalhar a Bolsa de avançar, afirma, ao referir-se ao desconforto gerado pelo vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) que acusou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, de mentiroso. "Se isso não incomodar, pode atingir novo recorde", completa.

Às 10h59, o Ibovespa cedia 0,03%, aos 97.988,96 pontos.

Para Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora, o Ibovespa já repercutiu o que fora apresentado na quinta-feira da proposta. "A reação foi positiva, mas agora deve ter um pouco de cautela pois ainda não foi divulgado o texto completo. Além disso, pode ter um pouco de prudência com relação ao cenário internacional", estima.

Entre os itens revelados pelo governo brasileiro está a definição de uma idade mínima de 62 para mulheres e 65 para homens, com um tempo de transição de 12 anos. A economia fiscal prevista é de algo ao redor de R$ 1 trilhão. A expectativa é que mais detalhes sejam apresentados na próxima semana.

Do exterior, vem dados das duas maiores economias do planeta que trazem preocupação com relação ao dinamismo econômico global. Na China, os indicadores de inflação mostraram arrefecimento ligeiramente mais intenso do que o esperado, com núcleos ainda comportados, ressalta o Bradesco.

Já as vendas do varejo norte-americano de janeiro, que vieram mais fracas que o esperado e informadas ontem, sugerem diminuição do consumo no período, acrescenta. Por conta disso, o Bradesco informa em nota que reduziu a projeção para crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no quarto trimestre de 2018, de 2,6% para 2,4% na margem, anualizado.

Por aqui, a atividade também continua fraca. Em 2018, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 1,15% ficando aquém da mediana de 1,30% das expectativas da pesquisa do Projeções Broadcast.