Brexit: May perde uma batalha

A um mês e meio do fim do prazo para acordo, emenda da premiê sobre fronteira irlandesa é derrotada

A primeira-ministra britânica Theresa May sofreu, ontem, uma derrota constrangedora na Câmara dos Comuns, que rejeitou simbolicamente sua estratégia de negociação do Brexit. O revés veio por 303 votos contra apenas 258 a favor da emenda apresentada pelo governo, que pedia apoio aos esforços de modificação do ítem mais polêmico do acordo de saída da UE, o "backstop", sobre a fronteira da Irlanda do Norte. O país pertence ao Reino Unido, mas deseja manter as fronteiras abertas tanto ao restante da Europa, quanto aos ingleses.

A rejeição complica a posição política de May frente à Bruxelas, que passa a ter todos os motivos para duvidar da capacidade de articulação da premiê a pouco mais de um mês do fim do prazo para um acordo, em 29 de março. Sobretudo porque muitos membros do próprio Partido Conservador, e portanto correligionários de May, se abstiveram da votação por acharem que a proposta amenizava a posição pró-Brexit. Esta ala dos conservadores, a chamada "hard-brexiteer", acredita que May não está comprometida com a possibilidade de uma saída sem acordo, como defendem. Há, no entanto, uma mudança de postura, já que, duas semanas atrás, os mesmos parlamentares tinham dado um voto de confiança à primeira-ministra.

De fato, após prometer, no final de janeiro, trazer novidades sobre as discussões do "backstop" até ontem, May voltou a pedir "mais tempo" na última terça-feira (12). Ela alegou a necessidade de "alterações legalmente vinculativas ao mecanismo".

Com a derrota, May agendou nova moção para o dia 27 deste mês, dois dias antes do prazo final, e recusou-se a apontar uma data para a votação decisiva ao acordo revisto que deve apresentar no Parlamento. O calendário apertado foi mal recebido pelo Parlamento, pois dará apenas dois dias para os deputados optarem pelo acordo ou pela saída unilateral.

Além da moção sobre a fronteira irlandesa, o Parlamento votou outras duas emendas, cujo resultado reforçou a coesão pró-Brexit. A primeira, que pretendia fixar o dia 27 de Fevereiro como data limite para o Governo fechar um acordo com Bruxelas, foi rejeitada por uma diferença de 16 votos. A segunda, de autoria do Partido Nacional Escocês, propunha o adiamento da data de saída por três meses. Também foi rechaçada, desta vez por 222 votos.