Renault nega pagamento de US$ 11 mi a Ghosn

O conselho de administração da Renault anunciou ontem que não pagará o equivalente a dois anos de salário ao seu ex-diretor, Carlos Ghosn, quantia que ele deveria receber devido a uma cláusula em seu contrato. No encerramento de uma reunião o conselho também observou que Ghosn não receberá milhões de euros em ações que estavam "sujeitas à sua presença na Renault".

Fontes da empresa disseram que o valor devido à cláusula de não concorrência e as ações a serem recebidas como CEO somam cerca de US$ 11,3 milhões.

O ex-presidente da montadora francesa, até recentemente considerado um dos homens mais poderosos do setor, renunciou à sua posição na Renault no mês passado, após ser preso sob a acusação de crime financeiro em Tóquio em novembro.

À época da prisão, em novembro do ano passado, O Estado francês, que é um dos principais acionistas da Renault, disse que faria tudo possível para impedir que Ghosn recebesse um "para-quedas de ouro".

Advogado abandona causa

Motonari Otsuru, o principal advogado de Carlos Ghosn, anunciou sua demissão ontem. O ex-promotor que defendia o executivo "enviou uma carta de demissão ao tribunal", assim como seu colega Masato Oshikubo, informou comunicado divulgado pelo escritório de advocacia. Ghosn, por sua vez, afirmou que a mudança de advogados é "a primeira etapa de um processo" que permitirá "restabelecer sua inocência".

"Estou impaciente para poder me defender, com vigor, e esta escolha representa para mim a primeira etapa de um processo não apenas para restabelecer minha inocência, mas também para jogar luz sobre as circunstâncias que levaram a minha detenção injusta", afirmou em um comunicado enviado à imprensa.

O executivo da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi está preso em Tóquio por suspeitas de fraude financeira. Ele é acusado de três delitos de abuso de confiança e dissimulação de renda às autoridades da Bolsa entre 2010 e 2018, o que nega.