Meta: reprivatizar a Vale

Salim Mattar quer reduzir posição acionária de fundos de pensão e BNDESPar na mineradora

Além da privatização ou extinção de todas as estatais, exceto Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras, a nova meta do governo Bolsonaro, segundo o secretário de Desestatização do ministério da Economia, Salim Mattar, é "reduzir, no momento oportuno [quando as ações se recuperarem do impacto de Brumadinho] a participação acionária dos fundos de pensão de estatais e do BNDESPar na Vale, movimento considerado por ele como uma "reprivatização" da mineradora. "Não faz sentido o BNDES vender ações da Vale neste momento", explicou para a cautela.

Em entrevista à agência Reuters, desafiou:"Você lembra que a Vale foi privatizada há uns anos atrás, né? Não, não foi. A Vale é uma estatal... Os fundos de pensão, patrocinados pelo Estado, detêm o controle da Vale, a Vale não foi privatizada. E nós estamos aqui para poder privatizar a Vale, reprivatizar a Vale".

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Fonte: Vale (Foto: Vale)

Momento correto

"O que estamos dizendo é o seguinte: esse governo veio para desestatizar, então é natural que num período de tempo essas ações sejam vendidas... Tem que descobrir o momento correto para se desfazer dessa carteira e aplicar esse dinheiro naquilo que é melhor, educação, saúde e segurança", afirmou. Para a nossa reflexão, talvez a gente tenha que melhorar o aspecto de desestatização reduzindo um pouco a presença desses fundos nessas empresas, de forma que essa empresa pudesse ser mais privada e que não tivesse interferência do governo", disse Mattar, após participar de evento em Brasília.

A Vale já está colocando em prática, desde 2017, um plano para pulverizar o bloco de controle atual da companhia, previsto para ser finalizado até novembro de 2020. A medida tem como foco aprimorar a governança e afastar a possibilidade de interferências do governo federal.

Ele disse que os governos anteriores eram "muito estatistas", pois, em sua opinião, não bastava que a estatal fosse totalmente da União, ainda havia a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o BNDES que compravam as ações dessas empresas.

No evento, reafirmou que o governo não vai privatizar o BB, a Caixa e a Petrobras, mas destacou que elas devem ficar mais enxutas após vendas de subsidiárias. A meta para 2019 é a venda de US$ 20 bilhões em ativos da União.