Fundos fazem Vale nacional

Na composição acionária da Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, em 28 de dezembro de 2018, a Litel S.A, companhia de investimento que reúne os três maiores fundos de pensão estatal do país (Petros, com 7,774% das ações ON, BB 72,40% da Litel, Funcef, com 12,82% e a Fundação Cesp) tinha 20,99% do capital da mineradora, privatizada em 1997. Essa fatia se dividia em 10,14% em ações vinculadas ao acordo público de acionistas e 10,85% em ações não vinculadas ao acordo. No acordo de controle, o BNDES, via BNDESPar, tinha 2,29% das ações no acordo e 4,39% das ações fora do acordo, que termina em novembro de 2020.

Na leitura de Salim Mattar, a Vale ainda tinha 27,67% do seu capital sob controle estatal. Some-se a isso as 12 ações golden share que dão à União o poder de veto, a mineradora ainda teria forte carga estatal. Os demais sócios do acordo de acionistas que têm 20,28% do capital são a Bradespar, companhia de investimentos do Bradesco, com 4,22% e a trading japonesa Mitsui, com 3,63%, somando 7,85%. Fora do acordo de acionistas com a Litel, a Bradespar tem 1,56% e a Mitsui, 1,96%. Juntos, esses acionistas tinham 47,05% do capital da Vale.

Mas a empresa tem ações pulverizadas na Bovespa e na Bolsa de Nova Iorque, onde são negociados ADRs da companhia.

Estrangeiros têm maioria

Os investidores estrangeiros tinham posição total de 47,74% das ações, 24,11% negociadas no Brasil e 23,63% negociados em ADRs na NYSE. Somados aos 5,59% da Mitsui (3,63% dentro e 1,96% fora do acordo), 53,33% do capital da Vale já seriam de controle estrangeiro.

Os investidores nacionais tinham 13,24% em dezembro, sendo 6,48% de investidores institucionais (fundos de pensão, de investimentos e seguradoras, por exemplo) e 6,76% de pessoas físicas, sendo 5,56% de pessoas físicas; 1,07% via fundos do FGTS; e 0,04% por outros fundos de investimentos do BB. Com a troca troca de ações desde o desastre de Brumadinho, é bem possível ter havido mudanças pontuais na composição acionária, sem afetar a estrutura da controle. A intenção de reprivatizar a Vale agitou o mercado. As ações ON, que abriram a R$ 44,31 logo subiram após a palestra de Mattar, no começo da manhã e fecharam o dia em alta de 2,69%, cotadas a R$ 45,49.