Guedes: O governo não pode ser ator perverso

Brasília - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que o governo não pode agir como uma "máquina de transferência perversa de renda" por meio da Previdência Social, dos impostos e dos subsídios. Para ele o governo precisa fazer transferências de renda legítimas e que cheguem aos municípios e às pessoas que mais precisam.

"Somos uma sociedade fraterna, somos solidários. Não podemos ser máquina de transferência perversa de renda através da Previdência, impostos e subsídios", destacou, em discurso no lançamento do Painel de Viagens, ferramenta de controle e transparência de viagens de servidores.

Terça-feira, após pressão do agronegócio, o governo recuou e garantiu vantagens aos produtores de leite, com o aumento do imposto sobre o produto em pó importado da União Europeia, para compensar o fim da taxa de antidumping. A medida foi comemorada pelo presidente Jair Bolsonaro, na rede social Twitter, em derrota da equipe econômica, que era contra a manutenção dos benefícios.

"Todos os dias, vem gente de todo o Brasil para pedir coisas ao Brasil. Mas eu pergunto: o que eles podem dar ao Brasil?", questionou. Entre os pedidos dessas pessoas estão "subsídios, dinheiro para isso, dinheiro para aquilo". "Quebraram o Brasil", disse.

O ministro elogiou o Tribunal de Contas da União e afirmou que o TCU tem cooperado com o governo e instou os tribunais de conta estaduais a "subir ao padrão do TCU" e elevar o nível de controle sobre as finanças dos estados. "O TCU tem dado demonstração extraordinária de competência. Corrige o Executivo quando está errado, e agora vai ter de ajudar os tribunais de contas estaduais (TCEs), porque os estados estouraram, em visível falta de controle dos tribunais estaduais", disse.