Previdência aguarda Messias

Definição do projeto será decidido por Bolsonaro após alta do presidente, diz Rogério Marinho

O texto-base da reforma da Previdência foi concluído pela equipe de governo e agora aguarda a análise do presidente Jair Messias Bolsonaro, ainda internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Segundo o secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, que se reuniu ontem, em Brasília, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente dará a palavra final sobre o projeto que será enviado à Câmara.

"Evidente que existem pontos que serão levados à presença do presidente para que ele possa definir de que forma isso possa chegar à Câmara Federal", disse Marinho. O secretário não adiantou como ficou o texto da reforma e disse que foi construído com avaliação das diversas áreas do governo, além da contribuição de economistas e observação ao projeto enviado pelo ex-presidente Temer ao Congresso.

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Governo espera alta do presidente para a decisão final dos termos da reforma da Previdência (Foto: Wilson Dias-Ag Brasil)

Marinho disse que o texto final é "bem diferente" da minuta do projeto que vazou para a imprensa semana passada. Na minuta, o governo proporia idade mínima única de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres. A minuta de projeto ainda previa um mínimo de 20 anos de contribuição para o trabalhador receber 60% da aposentadoria chegando, de forma escalonada, até o limite de 40 anos, para receber 100%.

Militares

Perguntado sobre quando o projeto será apresentado à sociedade, Marinho respondeu que isso vai ocorrer o mais rapidamente possível. "Vamos aguardar que o presidente convalesça, que ele esteja em plena condição de exercício do seu mandato, que eu espero que seja amanhã ou quinta-feira, e, apresentado [o texto] ao presidente, ele vai definir o prazo", disse o secretário.

Sobre a inclusão de militares na reforma, mais cedo o senador Major Olímpio, líder do PSL, disse, após reunião com Paulo Guedes, que os próprios militares apresentaram uma proposta para a Previdência.

"Os próprios comandantes militares, o ministro da Defesa [general Fernando Azevedo] têm se debruçado sobre isso. Os militares que estão fazendo propostas. Tudo vai cair aqui dentro da área técnica, da área econômica. Os militares, que são sempre solução para o nosso país, não problema, também estão fazendo suas propostas", disse.

Reação do real

O mercado de câmbio teve dia de alívio ontem após quatro altas seguidas do dólar. O real foi a moeda que mais subiu diante do dólar entre emergentes e países desenvolvidos, como reação às perspectivas de avanço da reforma.

No final da sessão, a moeda americana fechou em R$ 3,7148, com queda de 1,33%, a maior desde o tombo de 1,83% em 2 de janeiro, no primeiro dia do governo Bolsonaro. Além do ingresso de recursos para a bolsa, que subiu quase 2% a 96.166 pontos, houve captação externa de US$ 600 milhões pelo BTG Pactual.

 

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