Previdência e privatização

No 'Financial Times', ministro Paulo Guedes reafirma compromisso com a economia de mercado

O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, prometeu encerrar anos de fracassadas intervenções do Estado, por meio de grandes reformas de livre mercado, no governo do presidente Jair Bolsonaro. Ele concedeu uma "ampla entrevista" ao jornal de economia britânico Financial Times, em seu escritório em Brasília, para falar sobre o que pretende fazer para impulsionar a maior economia da América Latina. Mereceu, inclusive, chamada no alta da capa do periódico.

O diário descreve Guedes como um ex-administrador de fundos que foi escolhido pelo presidente de direita para reacender a economia brasileira após a pior recessão de sua história. Ao periódico, disse que a reforma da Previdência economizaria R$ 1 trilhão em 10 anos e que deverá ser aprovada "dentro de cinco meses".

As mudanças nas regras de aposentadoria brasileira, sempre descritas como "generosas" pelo veículo

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Paulo Guedes (Foto: Reprodução)
britânico, seriam seguidas rapidamente, de acordo com o ministro, por uma reforma tributária e por um programa radical de privatização em que não haverá vacas sagradas. "Estamos indo em direção a uma economia voltada para o mercado", disse o economista e professor de Matemática formado na Universidade de Chicago.

Os desafios enfrentados pelo ministro incluem, segundo o FT, grande déficit fiscal, aumento da dívida pública, desemprego quase recorde que deixou cerca de 12 milhões de pessoas sem trabalho, baixa produtividade e uma recuperação econômica anêmica. No entanto, também pontuou o jornal, as contas externas estão amplamente equilibradas e as reservas externas estão em US$ 377 bilhões.

Par estranho

Guedes e Bolsonaro formam um par estranho, de acordo com o FT. O primeiro foi descrito como um day-trader ocasional, que fundou o que mais tarde se tornou o maior banco de investimentos do País, o BTG Pactual. Bolsonaro era um deputado "de bancada" com um histórico de votar contra políticas econômicas liberais e em favor do nacionalismo corporativista que Guedes planeja encerrar

No entanto, Guedes disse que eles compartilhavam uma visão comum de renovar o País e libertar seus jovens do "fardo socialista" do Partido dos Trabalhadores (PT), que governou o Brasil a maior parte deste século. Embora tenha tirado milhões da pobreza, o maior escândalo de corrupção do País e a pior recessão provocaram a ira dos eleitores contra o PT. "A ordem econômica socialista está em desordem", disse Guedes. "Vamos manter os gastos sociais, mas acabar com corrupção, privilégios e benefícios", afirmou. "As pensões são uma máquina de transferências de renda regressivas e perversas."

Guedes também disse que o pacote total de mudanças nas aposentadorias traria uma economia de R$ 700 milhões a R$ 1,3 trilhão e seria submetido ao Congresso "assim que o presidente se levantar da cama".

Cabeças 'fracas'

Na versão online da entrevista feita com o ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, o Financial Times relata que ele toca um dedo em sua têmpora. "As pessoas da esquerda têm cabeças 'fracas' e bom coração", diz ele. "As pessoas da direita têm cabeças fortes e..." Ele procura a frase correta. "Corações não tão bons."

O site do jornal salienta que este é um momento de candura para o "superministro da economia" do Brasil, já que o presidente para quem ele trabalha é um ex-capitão do exército de direita visto internacionalmente como um "protofascista" com predileção pela ditadura militar.

"Se Bolsonaro é duro em suas maneiras, é apenas uma aparência. Ele será duro com os bandidos", acrescentou.

A equipe de economia de Guedes acertou com propostas de reformas ambiciosas. "O Brasil é a oitava maior economia do mundo, mas o 130º em grau de abertura, perto do Sudão. Ele também está classificado em 128º em termos de facilidade de fazer negócios. Quero dizer...Jesus Cristo! ", diz, saltando de sua cadeira.

O FT salienta que Guedes quer cortar esses rankings pela metade em apenas quatro anos, reduzindo gastos, revisando o código tributário "bizantino" do Brasil, cortando a burocracia e privatizando ativos do Estado.

Glasnost e Perestroika

"Certamente, Rússia e Brasil tiveram glasnost antes da perestroika", diz ele, referindo-se às políticas de abertura e liberalização política e econômica. "Você precisa ter os dois. Então você tem crescimento e uma classe média que traz estabilidade". O caminho adotado pelo Brasil leva a um Estado rentista caracterizado pela corrupção. "Nós éramos uma democracia de uma só perna", diz ele. "O sistema está corrompido Quero dizer, por que Lula, o político mais popular do Brasil, só conseguiu 13 anos por acusações de corrupção?"

Guedes parece contente em alcançar a lua e admite que será uma viagem turbulenta. "Sim, a economia vai crescer. Mas não podemos ser ingênuos. Há muito dano para consertar."

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