Estados pedem ajuda

O apoio dos governadores é considerado pelo governo federal fundamental para aprovar a reforma da Previdência, mas eles querem colocar na mesa de negociação com a equipe econômica um novo socorro para ajudar os Estados em crise financeira. A pressão é para que as demandas sejam atendidas caso a caso. O aviso já foi dado ao time do ministro da Economia, Paulo Guedes. Um governador que participa da frente de coalizão pró-reforma, que falou na condição de anonimato, disse que o apoio à reforma vai implicar o atendimento de demandas regionais, como perdão ou renegociação da dívida.

Dos 27 governadores, 20 apoiam incondicionalmente as mudanças na regra de aposentadoria, mas outros sete têm “circunstâncias fiscais agudas” e exigem algum tipo de compensação. Com a renovação política nas eleições, a avaliação é de que influência dos governadores na mobilização das bancadas foi reforçada.

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Segundo Rodrigo Maia, governo não tem os 308 votos necessários para a aprovação da reforma (Foto: Valter Campanato | Agência Brasil)

Por isso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já defendeu uma reforma da previdência pactuada com os governadores “Precisamos comandar as reformas de forma pactuada junto com todos os governadores, prefeitos e partidos políticos. Nada vai avançar se não trouxermos para o debate aqueles que estão sofrendo pela inviabilização do Estado”, disse.

O Ministério da Economia está conversando com vários Estados, fazendo missões técnicas de cooperação, mas não há de imediato possibilidade de socorro aos Estados, sobretudo para pagar a folha de pessoal, o que é inconstitucional. Segundo fontes da equipe econômica, muitos dos novos governadores receberam Estados sem dinheiro em caixa. O problema de muitos é a despesa com pessoal, que cresceu muito nos últimos anos. Para ajustar a folha, os governadores precisam de um conjunto de medidas: controlar o orçamento dos poderes independentes, ter instrumentos para reduzir a folha de pessoal ativo e contar com a aprovação urgente da reforma.