Bolsas de NY fecham em baixa após China pesar em resultados corporativos

As preocupações com as tensões comerciais entre Estados Unidos e China e com a desaceleração da economia global se materializaram nos resultados das empresas. Depois da Intel decepcionar os agentes na semana passada, foi a vez dos números da Caterpillar desapontarem, enquanto a Nvidia se mostrou afetada e reduziu suas projeções de receita do quarto trimestre de 2018. Não foi à toa que, no novo dia de perdas dos mercados acionários americanos, papéis de empresas industriais e de tecnologia lideraram o movimento de queda, enquanto os investidores também digeriram sinais de fraqueza da economia americana como resultado da paralisação parcial (shutdown) do governo americano.

O índice Dow Jones chegou ao fim do dia em queda de 0,84%, cotado a 24.528,22 pontos e, ainda na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), o S&P 500 recuou 0,78%, para 2.643,85 pontos. Já o índice Nasdaq cedeu 1,11%, para 7.085,68 pontos. O índice de volatilidade VIX, por sua vez, chegou a ultrapassar a marca dos 20 pontos, mas fechou cotado a 18,91 pontos, em alta de 8,55% no dia.

Um novo dia de incertezas. Ainda na madrugada, dados oficiais da China mostraram que o lucro das grandes empresas industriais do país caiu pelo segundo mês consecutivo ao registrar recuo anual de 1,9% em dezembro. "O crescimento do lucro industrial não atingirá o ponto mais baixo até que o crescimento econômico faça isso", afirmou o economista Xiangrong Yu, do Citi. De acordo com ele, os ventos contrários tanto do comércio externo chinês quanto da demanda doméstica devem fazer com que o crescimento econômico chinês desacelere ainda mais, em particular no primeiro semestre do ano.

O desaquecimento chinês, que já se mostrava presente no ano passado diante de renovadas tensões comerciais com os EUA, já se reflete em balanços de empresas americanas. A Caterpillar divulgou nesta segunda-feira lucro ajustado de US$ 2,55 por ação nos três primeiros meses do ano, abaixo do nível de US$ 2,98 esperado por analistas. De acordo com a companhia, a menor demanda da China levou a um declínio nas vendas na Ásia, enquanto as expectativas para a receita em solo chinês este ano estão praticamente estáveis. A ação da Caterpillar sofreu um baque com a notícia e fechou em baixa de 9,13%, a US$ 124,37.

Tombo maior foi sentido pela Nvidia, que viu sua ação despencar 13,82%, ao terminar o dia cotada a US$ 138,01. Também alegando menor demanda por parte da China, a fabricante de chips cortou sua projeção de receita no quarto trimestre de US$ 2,7 bilhões para US$ 2,2 bilhões entre outubro e dezembro. "O quarto trimestre foi extraordinariamente turbulento e decepcionante", lamentou o presidente-executivo e fundador da empresa, Jensen Huang.

"As preocupações, especialmente as relacionadas ao comércio, provavelmente produziram uma temporada de balanços mais branda do que a norma para o mercado bullish em que estamos. A maioria das empresas deve superar as estimativas, mas será uma quantidade abaixo do normal", escreveu, em nota a clientes, o analista Brian Reynolds, da Canaccord Genuity. Considerando os resultados divulgados até a última sexta-feira, a FactSet projeta um crescimento de 11,0% no lucro por ação das empresas que compõem o S&P 500 na comparação anual do quarto trimestre. O número mostra uma forte desaceleração em relação aos meses anteriores, tendo em vista que, nos três primeiros trimestres de 2019, o lucro por ação do S&P 500 registrou avanço médio de 25,5%.

No cenário macroeconômico, os agentes deixaram de lado os resultados positivos dos indicadores regionais medidos pelas distritais de Chicago e de Dallas do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). No radar, esteve a revisão para baixo do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA efetuado pelo apartidário Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA (CBO, na sigla em inglês). O órgão espera, agora, que o PIB americano apresente expansão de 2,3% este ano, abaixo dos 2,4% estimados anteriormente. O corte na projeção tem relação com a paralisação parcial da máquina pública americana, que fez com que dois grandes bancos - Goldman Sachs e Bank of America Merrill Lynch - revisassem para baixo as projeções de expansão do PIB dos EUA no primeiro trimestre, embora as estimativas para o período entre abril e junho tenham sido elevadas.