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Economia

Exploração de recursos naturais espaciais pode gerar bilhões de euros em 30 anos

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A exploração dos recursos naturais espaciais pode gerar entre 73 e 170 bilhões de euros de faturamento global daqui até 2045, mas precisa de "enormes investimentos", segundo um estudo solicitado pela agência espacial luxemburguesa e a ESA publicado nesta quinta-feira (20).

"Um desenvolvimento desse porte irá acontecer, a única incerteza é quando", considera Mathias Link, diretor de Relações Internacionais na Agência Espacial de Luxemburgo (LSA).

Os recursos naturais espaciais como a água e alguns minerais pode ser utilizado como combustível ou componente das infraestruturas espaciais, e reduzir igualmente o custo das missões.

Na Terra, os elementos podem ser utilizados para a indústria automobilística, a medicina, ou componentes elétricos, mas com menos lucros do que em seu uso no Espaço, aponta o estudo realizado pela consultora PricewaterhouseCoopers (PwC).

A utilização de materiais espaciais permite, também, reduzir a dependência dos recursos terrestres, que são limitados.

O estudo se baseia nas agendas das missões espaciais institucionais e privadas previstas até 2045, como os projetos de um retorno do Homem à Lua e das explorações em Marte, e sem esquecer do desenvolvimento do turismo espacial.

O documento estima que o desenvolvimento do uso desses recursos poderia gerar entre 845 mil e 1,8 milhão de empregos em tempo completo para 2045.

Luxemburgo lançou em 2016 o SpaceResources.lu, um programa ambicioso que pretende fomentar atividades econômicas no âmbito do Espaço e, mais concretamente, da exploração de matérias espaciais.

"No início, achamos que estávamos entrando em um pequeno nicho, mas, com o passar dos anos, nos demos conta de que este mercado está no centro de uma grande cadeia de valor", explica Mathias Link.

O governo luxemburguês se cercou de uma equipe de especialistas chegados da Nasa, como Simon Peter Worden e o ex-diretor da Agência Espacial Europeia (ESA), o francês Jean-Jacques Dordain.

Desde o verão de 2017, o Grão-ducado conta com uma lei que garante às empresas ativas na exploração e extração de recursos espaciais a propriedade total de suas descobertas.

Somente os Estados Unidos possuem um marco legislativo parecido.

"Luxemburgo se concentra mais nos recursos espaciais do que os Estados Unidos, que é a maior potência espacial do mundo", destaca Link.

Luxemburgo assinou igualmente uma série de alianças no campo espacial com Emirados Árabes Unidos, Japão, China, Polônia, Portugal e República Tcheca. "Estão negociando outros acordos", indicou esta semana o ministro luxemburguês da Economia, Etienne Schneider.

Desde 2016, cerca de 20 empresas ativas neste âmbito já se estabeleceram com 70 funcionários em Luxemburgo. Estes se juntam às 800 pessoas que trabalham no setor espacial no país europeu, representado essencialmente pelo operador de satélites SES, criado em 1985 e cotado na Bolsa de Paris.