Juros fecham em queda com foco no exterior e ignoram decisão de Marco Aurélio

Assim como os demais segmentos, o mercado de juros esteve com as atenções nesta quarta-feira, 19, totalmente voltadas ao exterior, mais especificamente ao desfecho da reunião do Federal Reserve, que só viria no fim do dia, provocando reação discreta apenas na etapa estendida. Apesar da previsão de alta de juros, que foi confirmada, a percepção de um tom mais dovish nas projeções do banco central para a economia e na entrevista do presidente da instituição, Jerome Powell, sustentou as taxas em queda durante toda a sessão regular. No entanto, o comunicado do Fed não veio tão dovish como esperado e, na sessão estendida, as taxas reduziram levemente o ímpeto de queda.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou com taxa de 6,620%, de 6,651% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 caiu de 7,512% para 7,47%. A taxa do DI para janeiro de 2023 passou de 8,862% para 8,76% e a do DI para janeiro de 2025, de 9,512% para 9,38%.

Com o foco no exterior, o mercado ignorou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello de suspender a prisão em segunda instância, que abre caminho para que o ex-presidente Lula seja solto. "O evento externo hoje (quarta) é muito relevante em termos de fundamento. Em dias assim, esse tipo de ruído não tem tanta aderência no mercado", afirmou a economista da CM Capital Markets Camila Abdelmalack. Para ela, o mercado pode ainda estar segurando uma reação pela expectativa de que a decisão seja derrubada antes de Lula ser eventualmente solto.

Para o estrategista de renda fixa da GS Research, Renan Sujii, concluído o processo eleitoral, a possível libertação de Lula não representa risco de volta do PT ao poder e, por isso, o mercado ignora. "Antes, afetava o mercado pela questão eleitoral, mas agora o presidente está eleito, a equipe econômica está montada. É uma não noticia, pois passou o período em que Lula poderia provocar algum dano", disse.

De volta ao exterior, o Fed frustrou as estimativas do mercado ao fazer mudanças sutis na sua avaliação sobre a economia. A expectativa de três aumentos de juros em 2019 passou para duas, mas o mercado acreditava que o Fed pudesse trabalhar agora com uma ou nenhuma. Apesar da reação forte dos ativos no exterior, por aqui a repercussão foi mais amena. O DI para janeiro de 2023, que fechou a sessão regular em 8,74%, logo após o Fed passou a 8,79%, de 8,862% na terça-feira no ajuste, mas no fechamento já estava em 8,76%.