Deputado Eduardo Bolsonaro foi ao Chile ver sistema de capitalização da Previdência

Em visita ao Chile, onde pavimentou a primeira visita internacional de seu pai, o presidente eleito Jair Bolsonaro, no primeiro trimestre, o deputado eleito pelo PSL de São Paulo, Eduardo Bolsonaro deu entrevista ao site do jornal “El Mercúrio” e fez elogios ao modelo econômico e da Previdência Social que tiveram a colaboração de economistas chilenos e brasileiros formados pela Escola de Chicago na ditadura de Augusto Pinochet. Pelo Twittter, segundo o site do jornal “O Globo”, disse que “chegou a vez de o Brasil ter os seus Chicagos Boys comandando a economia”, numa referência ao futuro superministro da Economia, Paulo Guedes, que fez mestrado em Chicago no fim dos anos 70 e de alguns dos economistas recrutados para a sua equipe, que também passaram pelos bancos da escola onde prevalecia o liberalismo radical pregado pelo Prêmio Nobel de Economia Milton Friedman.

Apesar do sucesso inicial do regime de capitalização implantado com a colaboração de Paulo Guedes e outros economistas brasileiros, como Carlos Geraldo Langoni, os aposentados pela previdência chilena enfrentam uma crise nos últimos sete anos, com perda de poder de compra.

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Trabuco, do Bradesco, defende reforma na Previdência: se não a necessária, a possível (Foto: Clayton de Souza/AE)

Bradesco defende qualquer reforma

Em São Paulo, no almoço de fim de ano com a imprensa, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, 2º maior banco privado do país e dono do maior grupo de seguros e previdência, Luiz Carlos Trabuco, afirmou que “se não for possível o governo de Jair Bolsonaro aprovar a reforma da Previdência necessária, que consiga aprovar a possível. “Mais que otimistas, estamos esperançosos com 2019”, disse Trabuco, ressaltando que espera avanço também na reforma do Estado. O executivo destacou que o regime de Previdência por repartição está em crise em alguns países do mundo, por isso a necessidade de reforma.

Já o presidente da diretoria executiva do banco, Octavio Lazzari considera ser “difícil a Caixa e o Banco do Brasil serem privatizados neste momento, pois o novo governo terá outras prioridades”. Os dois bancos públicos têm cerca de 50% do mercado de crédito e os bancos privados querem ter fatia maior no mercado, disse.

Entrada de US$ 50 bilhões

O banco estima que o Brasil pode receber US$ 50 bilhões só de fundos dedicados a emergentes em 2019, caso a agenda de reformas avance, revelou o vice-presidente do banco, Marcelo Noronha. Além destes recursos, fundos globais, que não investem só em emergentes, poderiam trazer mais US$ 50 bilhões para o mercado financeiro. O Bradesco estima que US$ 200 bilhões podem vir nos próximos cinco anos, auxiliado, por exemplo, pela agenda de privatizações, concessões e investimentos em infraestrutura. Noronha disse que para todos esses recursos aportarem aqui, é preciso que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, avance com a agenda de reformas, sobretudo a da Previdência.

Noronha contou que esteve reunido recentemente em Nova York com dois fundos globais e constatou esse interesse. Por volta de 2010, o Brasil respondia por 16% da alocação de recursos a emergentes. O patamar veio caindo para 5% este ano, mas já começou a subir e pode ir a 7%. Com as reformas avançando, a expectativa é que o país volte ao menos no nível que tinha em 2010. O gestor de um fundo global lhe disse que há cinco anos não tinha demandas sobre Brasil. Agora o quadro começou a se alterar. Para a diretora do Bradesco Denise Pavarina, o quadro ainda é de cautela dos estrangeiros, por ainda haver dúvidas sobre a agenda de reformas.