EUA e Canadá prometem 'respeitar Estado de direito' no caso Huawei

Estados Unidos e Canadá prometeram nesta sexta-feira (14) "respeitar o Estado de direito" no caso Huawei, que levou a uma crise diplomática com a China, enquanto Donald Trump avalia "intervir" nesta disputa judicial para favorecer as negociações comerciais com Pequim.

"Concordamos que o mais importante é respeitar o Estado de direito" e que "o processo judicial em andamento no Canadá seja apolítico", disse a ministra de Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, durante uma coletiva de imprensa conjunta em Washington com seu homólogo americano, Mike Pompeo.

Pequim continua a protestar veementemente contra a prisão no Canadá, em 1º de dezembro, a pedido de Washington, de Meng Wanzhou, diretora financeira da gigante de telecomunicações chinesa Huawei.

A executiva foi libertada sob fiança na terça-feira pelo sistema de Justiça canadense, enquanto aguarda um processo de extradição para os Estados Unidos que pode levar vários meses.

Washington acusa Meng de cumplicidade em uma fraude para evitar sanções econômicas contra o Irã, e pode ser condenada a até 30 anos de prisão por um tribunal dos Estados Unidos.

Dois canadenses suspeitos de realizar "atividades que ameaçam a segurança nacional" foram presos na China nesta semana - Michael Kovrig, um ex-diplomata que atualmente trabalha para um think tank, o International Crisis Group, e Michael Spavor, um consultor que mora na província de Liaoning, no nordeste do país.

Segundo vários observadores, o governo canadense de Justin Trudeau está no centro desta grande crise diplomática contra sua vontade, como refém da guerra comercial que os Estados Unidos e a China vêm travando há vários meses.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que estava pensando em usar a detenção da executiva da Huawei para avançar na frente comercial.

"Eu certamente interviria se achasse necessário", especialmente se for "bom" para concluir um acordo comercial com o presidente chinês Xi Jinping, disse nesta semana.

"Tudo o que é bom para este país eu faria", insistiu ele, sem dizer claramente como poderia intervir.

Essas declarações foram duramente criticadas por Ottawa. "É muito importante para o Canadá que os acordos de extradição não sejam usados para fins políticos", advertiu Freeland na presença de Pompeo.

"O Canadá não age assim, e parece óbvio para mim que países democráticos como os Estados Unidos, nosso parceiro, agem da mesma maneira", insistiu ela depois de garantir que a prisão de Meng respondesse às obrigações judiciais internacionais de seu país.

O chefe da diplomacia americana, por sua vez, negou que o Canadá pudesse ser uma vítima colateral da guerra comercial entre seu país e Pequim e tentou eliminar as suspeitas de interferência em questões judiciais alimentadas pelas declarações de Trump.

"Nós respeitamos o Estado de direito em todos os momentos", disse ele.

Pompeo, que costuma ser duro com a China, apoiou seu aliado canadense ao condenar a "detenção ilegal" de dois canadenses na China como "inaceitável" e prometeu "trabalhar" para alcançar seu "retorno".

 

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