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Economia

Dólar sobe com cautela sobre crescimento global e ruídos locais

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Sem leilão de linha marcado desde quarta-feira da semana passada, o dólar segue em alta frente o real neste início de segunda-feira, 10, após já ter acumulado ganhos de 1,41% nas últimas quatro sessões.

Os principais catalisadores são as preocupações com a saúde da economia mundial, que amparam a fraqueza das bolsas internacionais e, internamente, a falta de definição sobre timing e abrangência da reforma da Previdência, além de informações sobre movimentações financeiras atípicas apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e que envolvem a família Bolsonaro, de acordo com profissionais do mercado.

O Coaf aponta movimentações na conta bancária de Fabrício Queiroz, ex-motorista de um dos filhos do presidente eleito Flávio Bolsonaro. O Coaf indicou que Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão em um ano (de janeiro de 2016 a janeiro de 2017) e que ele fez depósito de R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro, mulher do presidente eleito.

No fim de semana, Bolsonaro explicou que as transferências para Michelle foram pagamento de empréstimos feitos por ele ao ex-funcionário. Ele disse que não declarou as operações ao Imposto de Renda porque as dívidas foram se avolumando. "Se eu errei, eu arco com a minha responsabilidade perante o fisco. Não tem problema nenhum", declarou.

No exterior, o petróleo recua e os índices futuros das bolsas de Nova York operam em baixa em meio a incertezas ligadas às discussões comerciais entre Estados Unidos e China. No domingo, dia 9, o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, disse em entrevista que Washington vai manter o prazo de 90 dias para fechar um possível acordo comercial com a China.

Por sua vez, o governo chinês apelou no domingo ao embaixador dos EUA na China, Terry Branstad, para que este exija que Washington retire o pedido de prisão de uma executiva sênior da Huawei Technologies, gigante chinesa de equipamentos de telecomunicações. A executiva da Huawei foi presa no Canadá no último dia 1º. Na semana passada, as bolsas americanas acumularam perdas de 3,7% a 4,6%.

No Reino Unido, a libra atingiu a mínima do dia ante o dólar mais cedo, após a mídia britânica noticiar que a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, convocou uma reunião de emergência do gabinete, sugerindo que ela provavelmente não obteve apoio suficiente para aprovar o acordo de Brexit que fechou com a União Europeia no Parlamento britânico e poderá pedir o adiamento da votação, prevista para terça-feira, 11.

Às 9h42 desta segunda-feira, o dólar à vista subia 0,50%, a R$ 3,9147. O dólar futuro de janeiro de 2019 subia 0,15%, a R$ 3,9165.