Ibovespa cai 1,33% com influência de bolsas de NY

O mercado brasileiro de ações sucumbiu diante das fortes perdas nas bolsas de Nova York e o Índice Bovespa terminou esta terça-feira, 4, em queda de 1,33%, aos 88.624,45 pontos. Com escassas expectativas de curto prazo no cenário doméstico, foram os movimentos do mercado internacional que determinaram o rumo das ações.

As bolsas de Nova York já iniciaram o dia em baixa e o movimento se acentuou gradativamente, em meio a diversas questões que causaram desconforto no investidor. A redução do spread dos Treasuries, indicando possibilidade de desaquecimento econômico nos EUA, somou-se a tensões comerciais e geopolíticas, o que voltou a incentivar o posicionamento defensivo do investidor estrangeiro. O Ibovespa, que chegou a atingir máxima de 90.452,48 pontos pela manhã (+0,70%), perdeu fôlego já no início da tarde e renovou sucessivas mínimas até a última hora de negociação. Na mínima, chegou aos 88.041,23 pontos (-1,98%), enquanto os índices de Nova York caíam até o nível dos 3%.

Pesaram no mau humor do investidor temores quanto ao sucesso da trégua de 90 dias entre Estados Unidos e China, no dia em que o presidente dos EUA, Donald Trump, se declarou como o "homem de tarifas". À tarde, a busca por segurança também foi reforçada depois que o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou que os EUA suspenderão sua participação num tratado nuclear, com o argumento de que a Rússia tem violado a iniciativa.

"Nosso mercado segue com muita dependência dos EUA, principalmente porque temos poucos 'triggers' de curto prazo", disse Pedro Guilherme Lima, analista da Ativa Investimentos. Lima lembra que a ausência do investidor estrangeiro mantém o Ibovespa com pouca sustentação, uma vez que apenas os domésticos têm dado o benefício da dúvida ao governo eleito. "Os estrangeiros não estão dando o benefício da dúvida ao novo governo. São dois meses de saída de recursos externos da bolsa e isso mostra que eles vão esperar sair algo concreto, de preferência a reforma da Previdência", afirmou.

E o noticiário político interno, se não chegou a ter influência negativa sobre os negócios, tampouco incentivou a compra de ações. Por mais de uma vez no dia, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR), disse que a votação do projeto de lei que destrava o megaleilão de áreas do pré-sal deve ser adiada novamente.

Entre as ações que fazem parte da carteira do Ibovespa, a queda foi praticamente generalizada. Os papéis de empresas ligadas a commodities, que foram destaque de alta na véspera, estiveram entre as perdas mais significativas. Vale ON caiu 2,27%, enquanto Petrobras ON e PN perderam 1,76% e 2,31%, respectivamente. O bloco financeiro teve novo dia de perdas, com Itaúsa PN (-1,47%) à frente. Em novembro, os investidores estrangeiros tiraram R$ 3,6 bilhões da B3.