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Economia

Dólar recua em linha com viés externo em meio a interesses sobre leilão de linha

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O dólar ante o real volta a cair nesta terça-feira, 4, em meio à previsão dos leilões de linha de US$ 1 bilhão do Banco Central depois do meio-dia (12h15 e 12h35) e diante da persiste queda externa da moeda norte-americana frente divisas principais e algumas emergentes e ligadas a commodities. Os investidores internacionais realizam lucros nas bolsas, que recuam - embora o petróleo siga em alta -, depois da euforia na segunda-feira com a trégua de 90 dias na disputa comercial entre os EUA e a China.

Em relação ao leilão de linha, a queda do dólar favorece os investidores que forem participar dessas operações. Isso porque o valor da taxa Ptax das 12 horas será usado como referência para a venda dos dólares nesses leilões. E quanto mais fraca ficar essa taxa, melhor será para os interessados na compra da divisa.

Além disso, os agentes de câmbio voltam a mostrar tolerância com o adiamento pelo Congresso e futuro governo de pautas consideradas vitais para o ajuste fiscal, como as votações da cessão onerosa e da reforma da Previdência.

Na segunda-feira, um dos filhos do presidente eleito, o senador eleito e deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), disse que o envio do projeto da reforma da Previdência ao Congresso não será o primeiro ato da gestão, em entrevista ao canal GloboNews.

Também o ministro extraordinário da transição de governo e futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, indicou na segunda que a reforma da Previdência pode levar um pouco mais de tempo até ser enviada ao Congresso Nacional. Ele reconheceu que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, ainda não definiu quais assuntos prioritários serão endereçados primeiro quando o novo Congresso assumir em 1º de fevereiro de 2019.

Onyx disse que a reforma da Previdência, medida mais aguardada pelos investidores e considerada essencial para garantir a sustentabilidade das contas, não será feita "no afogadilho" e que será preciso ter "paciência". Ele avaliou que a alta taxa de renovação do Congresso Nacional e a tentativa de se buscar uma nova fórmula de negociação para substituir o "toma-lá-dá-cá" serão desafios importantes a serem enfrentados para conseguir a aprovação da proposta.

Em relação ao projeto da cessão onerosa da Petrobras, cuja votação já foi adiada diversas vezes, o ministro extraordinário de transição, Onyx Lorenzoni, admitiu na segunda que se não for possível votar o texto até a próxima semana, a pauta ficará para o ano que vem. Onyx também afirmou que o projeto de lei para dar autonomia ao Banco Central ficará para o começo da próxima legislatura.

Para esta terça, além da incerteza sobre a análise da cessão onerosa no Senado, a Câmara pode votar repasses de recursos a municípios, projeto que permite receber recursos de Estados e da União mesmo se as despesas de pessoal estiverem acima do limite legal. Ainda na agenda estão encontros do presidente eleito, Jair Bolsonaro, com futuros ministros e parlamentares das bancadas do MDB e do PRB.

Às 9h47, o dólar à vista caía 0,53%, a R$ 3,8206. O dólar futuro de janeiro de 2019 recuava 0,55%, a R$ 3,8230.