Bolsas de NY fecham em alta com expectativa positiva sobre Trump e Xi

Os mercados acionários americanos encerraram o pregão desta sexta-feira, 30, em alta, apagando as perdas vistas desde o início da sessão, em meio ao otimismo dos agentes com as negociações comerciais entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em Buenos Aires. O tom "dovish" do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também continuou no radar dos investidores, que foram às compras nos últimos dias e deram ganhos mensais às bolsas de Nova York, em um mês marcado pela volatilidade.

O índice Dow Jones chegou ao fim do dia em alta de 0,79%, renovando sucessivas máximas na reta final, cotado a 25.538,46 pontos, com ganho mensal de 1,68%. O S&P 500, por sua vez, apresentou alta de 1,79% no mês, após subir 0,82% nesta sexta, cotado a 2.760,16 pontos. Já o Nasdaq, que sofreu com a forte baixa das techs, terminou o mês de novembro com alta de apenas 0,34%, após avançar 0,79% hoje, terminando o dia nos 7.330,54 pontos.

"Uma variedade de questões está pairando sobre o mercado de ações, incluindo os temores com o comércio global, a ansiedade com o fim do atual ciclo econômico e as economias mais fracas do que o esperado no exterior", comentou o estrategista-chefe de ações do Citi, Tobias Levkovich. Em relatório enviado a clientes, ele aponta que, apesar das preocupações dos investidores, "há uma resiliência em relação à atividade empresarial nos EUA e ao investimento corporativo, sem mencionar os benefícios de redução dos impostos para os americanos".

Quanto à atividade econômica, os EUA permanecem surpreendendo. De acordo com o Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês), o índice de atividade industrial de Chicago saltou de 58,4 em outubro para 66,4 em novembro, chegando próximo ao maior nível da história do indicador. Analistas projetavam queda do índice, para 58,0. "Foi uma surpresa muito agradável. O índice de Chicago geralmente responde a curto prazo às oscilações no fluxo de pedidos de aeronaves Boeing, mas, neste ano, o indicador também foi muito sensível aos desdobramentos da guerra comercial com a China", apontou o economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Ian Shepherdson.

As tensões comerciais, inclusive, foram, novamente, tema dos movimentos dos mercados nesta sexta-feira. Às vésperas do encontro entre Trump e Xi, os agentes monitoraram cada passo dos dois líderes na cúpula de líderes do G20, em Buenos Aires. Durante encontro bilateral com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, Trump afirmou que está "trabalhando duro" para obter um acordo com a China e ressaltou que, se um pacto for alcançado, "será bom". Já Xi Jinping disse, durante sessão de trabalho dos Brics, que cabe ao grupo afirmar o multilateralismo e refutar o protecionismo. Ações do setor industrial, que são diretamente afetadas pelas tensões, avançaram - casos da Boeing (+1,23%), 3M (+1,64%) e Caterpillar (+4,18%).

Em relação ao Fed, o presidente da distrital de Minneapolis do banco central americano, Neel Kashkari, reiterou seu tom "dovish". Em entrevista à rede de TV americana NBC, o dirigente comentou que as taxas de juros estão próximas do nível neutro e se mostrou preocupado com novas medidas de aperto. "Se a economia cria 200 mil empregos mês após mês, não estamos no patamar de pleno emprego ainda. Estou preocupado em elevarmos os juros precipitadamente enquanto há ainda espaço no mercado de trabalho", disse Kashkari.