Coppe quer aumentar produtividade do pré-sal

Projeto é financiado por Shell e Petrobras

A Coppe/UFRJ inaugura hoje uma Laboratório de Recuperação Avançada de Petróleo (LRAP) sem precedentes no país. O órgão terá a missão de desenvolver técnicas para aumentar o fator de de recuperação de óleo dos campos brasileiros, ou seja, o percentual de volume de petróleo que se consegue extrair de uma rocha. Na prática, significa aumentar a produtividade dos campos terrestres e marítimos, muito baixa se comparada à outras ao redor do globo.

As pedras que compõem reservatórios da costa brasileira têm um fator médio de recuperação de óleo de 21%. Como as operações do pré-sal ainda são relativamente recentes, ainda não é possível quantificar o fato de recuperação de suas estruturas, mas, no pós-sal da Bacia de Campos o índice é de 24%, bem abaixo da média mundial, na casa dos 35%. “Isso indica que ainda há muito o que aprimorar. A Petrobras passou por um período de descobertas frenéticas, em que a tônica era perfurar o maior número de poços possíveis. Agora é preciso dar qualidade às operações”, explica Paulo Couto, professor que coordenará o laboratório.

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Com equipamentos de ponta e 50 profissionais, laboratório custou R$ 117 milhões, dos quais R$ 107 milhões da Shell e R$ 10 milhões da Petrobras (Foto: Reprodução)

Segundo Couto, dados auferidos pela ANP indicam que cada aumento de 1% na taxa de recuperação das rochas significaria um acréscimo de 22 bilhões de barris no potencial das reservas brasileiras, além de render mais US$ 11 bilhões em royalties e atração de investimentos da ordem de US$ 16 bilhões. “Na Noruega, por exemplo, há casos em que o fator de recuperação chega a 70 %. Em termos de pesquisa, essa é uma área nova no Brasil e está alinhada com a diretriz da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de apoiar projetos voltados para o aumento do fator de recuperação. Neste laboratório, além de produzir conhecimento, também vamos formar recursos humanos. Como se trata de uma nova área, há carência de pessoal especializado e pouco conhecimento disponível no país sobre o tema”, afirma Couto.

Com 230 m², o laboratório integrará o Núcleo Interdisciplinar de Dinâmica de Fluidos (Nidf) da CoppeO projeto faz parte do compromisso de investimentos com P&D, gerenciado pela ANP e o valor total do investimento foi de R$ 117 milhões, sendo R$ 107 milhões da Shell Brasil e R$ 10 milhões da Petrobras.

Cerca de 60% do investimento foi feito em equipamentos, alguns feitos especialmente para reproduzir em laboratório as mesmas condições de pressão e temperatura dos reservatórios em grandes profundidades, ou seja, cerca de 700 vezes a pressão atmosférica e temperatura de até 150 Graus Cº. Entre os equipamentos, uma estufa para mediação de permeabilidade relativa, equipada com scaner de Raios-X, que permite produzir imagens do deslocamento de petróleo dentro da rocha, em condições de laboratório. No mundo, só existe um único equipamento similar a este na Universidade Heriot-Watt, em Edimburgo, na Escócia.

Os novos equipamentos incluem técnicas de imageamento e automação chaves na nova Indústria 4.0. Pelo fato de conseguirem operar em condições muito próximas àquelas encontradas no campo, auxiliarão cientistas e engenheiros compreender melhor o escoamento do petróleo através do intrincado sistemas de poros nas rochas carbonáticas, permitindo o aperfeiçoamento dos processos de extração de óleo em nosso pré-sal”, explica o diretor de Tecnologia e Inovação da Coppe/UFRJ, Fernando Rochinha

Os outros 40% do capital envolvido serão aplicados em projetos de pesquisa e na formação e qualificação de pessoal especializado. O laboratório contará com 50 profissionais: cinco professores, oito pesquisadores, oito técnicos, quatro pós-doutores, 16 alunos de mestrado e doutorado, além de oito alunos de graduação e uma engenheira de segurança do trabalho.