Bolsas de NY digerem Powell 'dovish' e fecham em alta expressiva

Os mercados acionários americanos encerraram o pregão desta quarta-feira, 28, com ganhos expressivos e próximos das máximas do dia, em um salto promovido pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, cujo discurso no Clube Econômico de Nova York foi considerado "dovish" pelos investidores por indicar que as taxas de juros podem não subir muito mais nos Estados Unidos.

O índice Dow Jones fechou a sessão com alta de 2,50%, cotado a 25.366,64 pontos, saltando mais de 600 pontos em relação a terça-feira e furando a barreira dos 25 mil pontos novamente. O S&P 500, por sua vez, avançou 2,30%, para 2.743,78 pontos; enquanto o Nasdaq subiu 2,95%, para 7.291,59 pontos. Com esses resultados, os três indicadores apresentaram o melhor desempenho porcentual diário desde março.

Powell mudou o tom. No início de outubro, o presidente do Fed afirmou que as taxas de juros ainda estavam "muito longe do nível neutro" e ressaltou que elas poderiam ser elevadas a um patamar acima dessa faixa. Desde então, uma onda de volatilidade atingiu as bolsas nova-iorquinas, fazendo com que vendas e mais vendas fossem disparadas, principalmente em relação às empresas de tecnologia. Nesta quarta-feira, porém, os agentes anotaram alterações significativas em relação a Powell. Para ele, as taxas, agora, estão "um pouco abaixo" do nível que seria o neutro para a economia, o que resultou em uma ida às compras por parte dos investidores.

"Os mercados estão exagerando com o que Powell disse", decretaram os analistas da Amherst Capital em relatório enviado a clientes. De fato, entre as giant techs, os ganhos foram expressivos. A Amazon apresentou salto de 6,09%, enquanto a ação da Netflix avançou 6,01% e a da Apple subiu 3,85%. A alta do Dow Jones, contudo, foi liderada por duas companhias que integram o setor industrial: Boeing (+4,86%) e Caterpillar (+4,95%).

"Ver o Fed começar a mudar um pouco o tato aliviou algumas das tensões do mercado. Parece que estamos atravessando o período mais difícil quanto ao aumento de juros", afirmou o estrategista global de mercados da Touchstone Investments, Crit Thomas. O índice de volatilidade VIX, considerado o "medidor de medo" de Wall Street, apresentou queda de 2,79%, caindo para 18,49 pontos, mas continua em níveis elevados.

Com uma possível abreviação na quantidade de elevações nos juros, o mercado imobiliário americano agradece. De acordo com o Departamento do Comércio dos EUA, as vendas de moradias novas registraram queda de 8,9% na passagem de setembro para outubro, contrariando a projeção de avanço de 4,0% do indicador. "A economia está forte, os mercados de trabalho são sólidos, mas as vendas de moradias continuam caindo", notou a IHS Markit, que manteve a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) anualizado dos EUA no quarto trimestre inalterada em 2,5%. O Goldman Sachs, contudo, revisou sua estimativa de 2,5% para 2,3%.