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Economia

Taxas de juros abrem com viés de alta, que desacelera com depreciação do dólar

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Os juros futuros abriram com viés de alta nos vencimentos curtos e com alta moderada nos longos, continuando o movimento observado nesta segunda-feira, 26. Após a abertura do câmbio local, o avanço desacelerou, e as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) passaram a oscilar mais próximo dos ajustes de segunda, mas ainda com leve viés de alta.

As mínimas em queda do contrato para dezembro do dólar no mercado futuro não foram suficientes para fazer com que as taxas virassem e passassem a cair até a publicação desta matéria. O motivo da persistência da alta é incerto.

"O mercado opera com a volatilidade em alta. A análise fundamental está sendo deixada de lado", afirmou o operador da H.Commcor Cleber Alessie Machado Neto. "As taxas poderiam estar melhores, mais baixas mesmo", diz o sócio e gestor de renda fixa da Leme Investimentos, Paulo Petrassi.

Observando o noticiário doméstico, o reajuste salarial de 16,38% do Judiciário preocupa o mercado por conta do impacto nas contas públicas e na dificuldade ainda maior de o futuro governo realizar o ajuste fiscal.

O impacto do efeito cascata do aumento dado aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pode ser de R$ 4,1 bilhões. Ainda assim, Petrassi relativizou a decisão do presidente Michel Temer de sancionar ontem o aumento. "Ninguém esperava que ele vetasse", afirmou.

De toda forma, após a alta de segunda-feira conduzida pelo estresse no mercado global de moedas emergentes, o investidor parece ainda localizar espaço para realizar lucros no mercado de juros futuros, o provoca o avanço das taxas.

Em outubro, os estrangeiros haviam aumentado bastante a participação no estoque de títulos públicos brasileiros, como afirmou na segunda o coordenador-geral de operações da Dívida Pública, Luis Felipe Vital.

A fatia dos investidores não-residentes no Brasil no estoque da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu de 11,67% em setembro para 11,97% no mês passado, somando R$ 433,41 bilhões. Em setembro, o estoque nas mãos de estrangeiros estava em R$ 423,53 bilhões.

Uma notícia que pode dar um tom positivo e que também pode estar limitando a alta das taxas juntamente com o dólar em queda é a perspectiva para um desfecho sobre a cessão onerosa. Os agentes do mercado monitoram a "engenharia" do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, para aprovar a proposta de mudança no contrato da cessão onerosa.

Guedes vai nesta terça-feira, 27, ao TCU para discutir a possibilidade de assinar o acordo entre União e Petrobras sem precisar da aprovação do projeto de lei que tramita no Senado. O projeto está na pauta dos senadores desta terça, mas sem uma solução fácil. Além de um embate sobre repasses para Estados e municípios, o entrave ainda acontece por conta das articulações sobre a eleição para as presidências do Senado e da Câmara.

Às 9h50 desta terça-feira, o DI para janeiro de 2020 estava em 6,98% ante 6,97% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2021 exibia 7,99% ante 7,98% no ajuste de segunda. E o DI para janeiro de 2023 estava em 9,24% ante 9,23% no ajuste anterior.