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Economia

França e Japão confirmam apoio à aliança Renault-Nissan após afastamento de Ghosn

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França e Japão confirmaram, nesta quinta-feira (22), seu apoio à aliança Renault-Nissan, depois de o conselho administrativo da Nissan aprovar o afastamento de seu presidente, Carlos Ghosn, preso em Tóquio por suposta fraude fiscal.

O ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, e seu homólogo japonês, Hiroshige Seko, confirmaram seu apoio à "aliança formada por Renault e Nissan e seu desejo compartilhado de manter essa cooperação vencedora", afirmaram em comunicado conjunto publicado após um encontro em Paris.

Nesta noite, o chefe interino da Renault, Thierry Bolloré, prometeu aos funcionários em uma mensagem no Twitter seu "compromisso total" para "garantir a estabilidade [do grupo] e manter o rumo em [suas] missões: preservar os interesses da Renault e a perpetuidade da Aliança".

A direção da Nissan já tinha anunciado que a cooperação com seu sócio francês "permanecia intacta", após a reunião extraordinária que durou mais de quatro horas, na sede do grupo, em Yokohama.

"Depois de analisar um relatório detalhado da investigação interna, a diretoria votou por unanimidade para dispensar Carlos Ghosn como presidente do conselho", afirma o comunicado.

O conselho administrativo da Nissan, que inclui dois representantes da Renault, decidiu por unanimidade que as suspeitas contra Carlos Ghosn, responsável pela aliança franco-japonesa, foram suficientes para afastá-lo de seu cargo.

A Nissan justificou esta decisão radical nos "fatos sérios confirmados", mencionando "a minimização da sua renda por um longo período em relatórios financeiros, um uso fraudulento para fins pessoais de fundos de investimento e notas de despesas".

Esta decisão põe fim a quase 20 anos à frente da Nissan, a maior parte deles como presidente e diretor-geral e, depois, na presidência do conselho.

Ghosn arrisca receber a mesma pena na Mitsubishi Motors, empresa que aderiu à aliança em 2016. A diretoria se reunirá na segunda-feira, de acordo com um porta-voz da companhia, embora o empresário continue sendo o presidente-gerente geral da Renault "temporariamente impedido".

A vida de Carlos Ghosn, que uniu as três grandes empresas para criar a número um automotiva do mundo, deu uma reviravolta quando seu avião pousou na segunda-feira no Japão e ele foi preso. Desde então, ele permanece em silêncio em uma cela de um centro de detenção da capital japonesa.

 

Hiroto Saikawa, diretor-executivo da fabricante japonesa, pediu publicamente o afastamento de Ghosn - seu ex-mentor - em coletiva de imprensa.

Oficialmente, o franco-brasileiro de origem libanesa é acusado de ter, ao lado de cúmplices, "minimizado seus rendimentos em cinco oportunidades entre junho de 2011 e junho de 2015", declarando ao fisco uma renda de 4,9 bilhões de ienes (37 milhões de euros), ao invés de quase 10 bilhões de ienes.

"Este tipo de declaração falsa constitui um dos crimes mais graves em relação à legislação imposta às empresas", declarou à imprensa nesta quinta-feira Shin Kukimoto, procurador adjunto de Tóquio.

A imprensa japonesa dá diversas versões sobre os delitos dos quais o magnata de 64 anos seria culpado.

As suspeitas contra ele vêm de uma investigação interna dirigida pela Nissan durante os últimos meses.

Ghosn também é suspeito de abuso de bens sociais, de acordo com uma investigação interna da Nissan nos últimos meses.

Na quarta-feira, um tribunal distrital de Tóquio prorrogou sua detenção por 10 dias para permitir a continuidade das investigações. O período pode voltar a ser ampliado, de acordo com as regras do sistema judicial japonês.

O empresário recebeu as visitas do embaixador da França e do cônsul do Brasil, que o encontraram "em boa forma".

O grupo Nissan, como pessoa jurídica, também poderia ser processado, afirmou o representante do Ministério Público.

 

 

Na Renault, prevalece a prudência. O conselho de administração pediu à Nissan que transmita o "conjunto das informações que possui no âmbito das investigações internas contra Ghosn".

O caso abala a aliança como nunca antes desde a sua criação em 1999. O governo francês tenta se mostrar tranquilizador sobre o futuro da Renault, da qual possui 15%.

A imprensa local citou declarações anônimas de funcionários da Nissan que dizem que o grupo quer rever a estrutura da aliança, "uma condição necessária para que ela continue", segundo um deles.

O objetivo seria alterar as participações cruzadas: a Renault detém 43% da Nissan, mas os japoneses, que superam seu aliado em volume de negócios, não possuem mais de 15% da francesa.