Juros curtos fecham em leve alta e longos ficam estáveis

Nesta quinta-feira, 22, o mercado de juros esteve um pouco mais cauteloso na etapa vespertina dos negócios, com as taxas curtas tendo invertido a trajetória de queda vista pela manhã para alta moderada. Os juros longos zeraram o recuo para terminarem estáveis. O comportamento mais comedido coincidiu com a piora do câmbio, mas, dizem os profissionais, foi visto como um ajuste técnico e não como mudança na percepção sobre o cenário político, que continua animando os investidores. Mesmo sem a referência dos mercados norte-americanos, que hoje não funcionaram em razão do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, a liquidez foi boa, com destaque para o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2020, que girou quase 350 mil.

A taxa deste DI fechou em 6,960%, de 6,902% na quarta-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 ficou em 7,90%, mesmo patamar do ajuste de quarta. A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou em 9,09%, de 9,113%, e a do DI para janeiro de 2025 ficou estável em 9,63%.

Apesar do forte volume visto na ponta curta, nos DIs longos o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, afirma que a movimentação foi fraca, o que era esperado para um dia sem o parâmetro de Nova York. "Sem o driver da T-Note de dez anos, fica mais complicado montar qualquer posição, mas essa data já era prevista, então não tem surpresa", disse.

Alguns já veem a ponta longa bastante esticada, após várias rodadas de queima de prêmio desde que Jair Bolsonaro foi eleito, o que começa a desestimular os aplicadores, ao menos enquanto não surgirem fatos concretos sobre as reformas ou notícias positivas de outra natureza. "Com a taxa do DI janeiro de 2027 já abaixo de 10%, é arriscado aplicar, pois ainda nem começou o ajuste fiscal. No Brasil, a gente sabe como é o Congresso", afirma um gestor.

Por enquanto, o mercado vem alimentando esperança em relação à reforma da Previdência a partir do que promete a equipe de transição. Nesta quinta-feira, o economista Carlos Alexandre da Costa declarou que o próximo governo deve apresentar um projeto nas próximas semanas e reiterou que será um projeto próprio, construído com a colaboração de outros já existentes.

Pela manhã, a decisão do Banco Central de antecipar o fim das deduções do recolhimento de depósitos compulsórios para dezembro de 2018, com redução das alíquotas, de 34% para 33% no caso dos depósitos a prazo enquanto a dos depósitos à vista foi de 25% para 21%, teve efeito mais psicológico do que prático sobre as taxas.

A medida vai liberar R$ 2,7 bilhões no sistema, mas a avaliação dos economistas é de que não terá impacto na economia. "O mais importante é a sinalização do BC, a direção que tem sido adotada nos últimos anos, com (o presidente) Ilan Goldfajn nessa linha de reduzir alíquotas e de tornar menos burocrático o recolhimento de compulsórios", disse Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada.