Entrevista - Roberto Castello Branco: Pré-Sal e Rio são prioridades da Petrobras

O economista Roberto Castello Branco, diretor da FGV, indicado pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, para presidir a Petrobras, disse em entrevista ao JB que a sua prioridade à frente da estatal será “concentrar os esforços na exploração do pré-sal, riqueza da companhia e do Brasil, como incomparável ativo de classe mundial”. Outro foco será priorizar o Rio de Janeiro nas atividades na estatal, por “questão geográfica, pois o pré-sal está nas costas do Rio”. Após ser Diretor de Finanças da Vale de 1999 a fevereiro de 2015, entrou para o Conselho de Administração da Petrobras, na gestão Aldemir Bendine, que trouxe o atual presidente da estatal, Ivan Monteiro, para diretor financeiro. Castello Branco interagiu com Monteiro, em 2015, quando o CA recomendou normas de compliance na gestão da estatal. Ainda não tem agenda com Monteiro. Antes, deve ser recebido hoje, em Brasília pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro.

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Roberto Castello Branco (Foto: Wilton Junior/AE)

JB- Quando você integrou o Conselho de Administração da Petrobras, em 2015, e Ivan Monteiro era diretor de Finanças e Relação com os Investidores foram introduzidas novos comitês e medidas de controle de gestão. A estatal ficou mais resistente à corrupção?

Estabelecemos, no Conselho, várias normas que foram adotadas, como a obrigação de, no mínimo, dois diretores decidirem uma questão importante. A criação de Comitês foi outra prática importante, porque os comitês passaram a ser uma instância de exame de questões de investimento ou de grande monta. Exigimos, também, que qualquer medida importante teria que ser submetida ao crivo do comitê, cinco dias antes de cada reunião do Conselho de Administração.

Isso evitaria a alegação da ex-presidente Dilma, de que aprovou a compra da refinaria de Pasadena [no Texas, em 2006], com base num relatório falho?

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E suas prioridades na Petrobras? Pré-sal, privatizações de que áreas ou atividades?

Vamos nos concentrar na exploração do pré-sal, que á a grande riqueza da companhia e do Brasil. Trata-se de ativo incomparável. De classe mundial que permite à empresa grandes planos duradouros. Temos de explorar enquanto o mundo tem fome de petróleo.

Em entrevista recente ao JB, o ex-diretor de exploração, Guilherme Estrella, disse que a escala do pré-sal é tão gigantesca que permite fomentar, dentro do próprio Brasil, atraindo grandes players mundiais, uma grande parte dos equipamentos que podem gerar empregos e renda no Brasil. Concorda?

Pretendemos transformar o Rio de Janeiro no centro da produção do petróleo no Brasil e também na base da indústria voltada para a exploração do pré-sal. É algo semelhante ao que Houston [Texas] representa como ponto de referência global para a indústria do petróleo. Pretendemos gerar muitos empregos para o Rio de Janeiro. Isso não é nenhum favor. É uma questão de logística e de localização geográfica, pois o petróleo e o pré-sal brasileiro estão na costa do Rio. É como Carajás para o Pará.

Que atividades da Petrobras serão privatizadas. A distribuição de combustíveis, o refino e a área de fertilizantes, como no Plano de Negócios e Gestão atual?

A privatização da BR um assunto que está sendo discutido há tempos, assim como algumas unidades de refino., mas são questões que não foram definidas na equipe de transição. Eu ainda nem passei pela porta da Petrobras. Me dou bem com o Ivan Monteiro desde que fui do Conselho da Petrobras e vamos nos reunir breve, mas não vou falar nada além disso. Minha indicação foi hoje. Antes de qualquer movimento, terei de conversar com o presidente eleito Jair Bolsonaro.