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Economia

Bruxelas prevê forte alta do déficit da Itália com orçamento

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A Comissão Europeia rebaixou, nesta quinta-feira (8), as otimistas previsões econômicas do governo populista italiano, especialmente seu déficit público, ao mesmo tempo que o Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta para um "contágio" das turbulências na Itália a outros países europeus.

"Nossas projeções diferem um pouco das do governo" italiano, ironizou em coletiva de imprensa na comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, uma situação que, para Roma, deve-se à "análise parcial e não atenta" por parte de Bruxelas.

Em suas previsões de outono (hemisfério norte), o Executivo da UE estima que o déficit da Itália atingirá 2,9% de seu Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, e 3,1%, em 2020, bem acima das previsões de Roma, que prevê 2,4% e 2,1%, respectivamente.

Bruxelas, que rejeitou em 23 de outubro o plano orçamentário italiano para 2019 por um risco de não cumprimento das regras fiscais europeias, coloca o nível de déficit acima do limite de 3% do PIB estabelecido pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.

Esse desvio no orçamento do governo da terceira maior economia da zona do euro, uma coalizão de direitistas e antissistema, não reduziria a dívida do país que, segundo a Comissão, deve se estabilizar em torno de 131% do PIB nos próximos dois anos.

A Itália tem até 13 de novembro para apresentar um orçamento revisado para a UE. Se não mudar suas políticas, Roma está exposta ao início de um "procedimento de déficit excessivo" e, a longo prazo, a possíveis sanções econômicas.

 Os ministros das Finanças da zona do euro tentaram, sem sucesso, convencer seu colega italiano, Giovanni Tria, a rever seus planos. O orçamento "não muda", disse ele.

A inflexibilidade italiana suscita temores, além da briga com a Comissão, a possível turbulência nos mercados e até o retorno de uma crise da dívida.

O FMI disse nesta quinta-feira temer um "contágio" das turbulências financeiras na Itália a países europeus que tenham "fundamentos macroeconômicos mais frágeis".

Com os juros que os títulos soberanos italianos devem pagar em seu "nível mais alto em quatro anos", o FMI afirma que "as repercussões em outros mercados foram por ora relativamente limitadas".

Mas "um contágio provocado por futuras tensões poderia ser significativo, particularmente para as economias com fundamentos macroeconômicos mais frágeis", acrescenta o organismo internacional.

A Itália baseou seu orçamento com uma previsão de crescimento muito otimista, de 1,5% em 2019, quando a Comissão previu um crescimento na quinta-feira de 1,2% para o próximo ano e de 1,3% em 2020.

"Nossas previsões de crescimento são mais prudentes e nossas previsões de gastos são mais altas" do que as de Roma, resumiu Moscovici para explicar as diferenças.

A nível dos 19 países da zona do euro, a Comissão reviu levemente a previsão de crescimento da zona do euro para 2019 e manteve o valor de 2018 inalterado, alertando para a "crescente incerteza mundial".

O Executivo europeu projeta uma expansão de 2,1% para este ano. Para 2019, suas novas previsões caíram um décimo em relação à avaliação de julho, a 1,9%. Em 2020, a expansão continua se desacelerando, a 1,7%.

 Bruxelas reduziu em dois décimos o crescimento da Espanha, a quarta maior economia do euro, a 2,6% em 2018 e a 2,2% em 2019. Em 2020, registraria 2%.

A Alemanha, maior economia da região, cresceria 1,7% neste ano e 1,8% em 2019, ante de perder um décimo no ano seguinte. A expansão da França passaria de 1,7% em 2018 para 1,6% nos dois anos seguintes. "A incerteza e os riscos, tanto externos, quanto internos, avançam e começam a pesar sobre o ritmo da atividade econômica", indicou o vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, citado em um comunicado.

Entre os riscos, estão as tensões comerciais internacionais, a alta do preço do petróleo e a "perspectiva de uma desaceleração do crescimento do mercado de trabalho", bem como o resultado da negociação do Brexit.




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