Dólar sobe 0,36% influenciado pelo cenário externo e volta ao nível de R$ 3,70

O cenário externo adverso interrompeu nesta terça-feira, 23, uma sequência de queda dos dólar e a moeda norte-americana fechou em alta de 0,36%, a R$ 3,7013. Na reta final para a eleição, as mesas de operação seguiram monitorando os eventos da corrida presidencial, mas a agenda foi fraca internamente e o dia foi marcado por aumento da aversão ao risco no mercado financeiro internacional, causado pela Itália, que teve sua proposta de orçamento para o ano que vem rejeitada pela Comissão Europeia. O dólar chegou a bater em R$ 3,72 durante os negócios pela manhã e acabou desacelerando o ritmo de queda na parte da tarde, com a relativa melhora do quadro lá fora na parte da tarde.

"Neste momento, a maior ameaça para a recuperação dos ativos brasileiros continua vindo do exterior", avalia o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior. Faltando apenas três pregões para a eleição, o executivo ressalta que tudo aponta para a vitória de Jair Bolsonaro (PSL). Por isso, o mercado vai querer ver os resultados da pesquisa do Ibope que sai na noite desta terça, mas dificilmente os números devem influenciar os preços na sessão de quarta-feira, a menos que venham com alguma diferença importante dos últimos levantamentos.

O operador de câmbio da corretora Spinelli, José Carlos Amado, aponta que o mercado deve operar cauteloso esta semana e, a menos que haja um noticiário forte, o dólar deve continuar a rondar os R$ 3,70. Segundo ele, o câmbio deve seguir tendo reações pontuais a notícias locais e ao exterior, como ocorreu nesta terça. "A tendência é continuar rondando os R$ 3,70, sem uma direção concreta específica, no caso de não haver noticiário forte. E reagindo pontualmente a fluxo ou ao cenário externo", diz.

O economista sênior do grupo holandês financeiro ING, Paolo Pizzoli, avalia que os desdobramentos recentes mostram que não deve haver solução de curto prazo para a questão orçamentária italiana, o que deve seguir pressionando os mercados europeus e, consequentemente, os mundiais. Ele ressalta em relatório a investidores que o país europeu já teve o rating soberano recentemente rebaixado pela Moody's e mesmo assim mostrou pouca disposição em rever seu orçamento, que prevê déficit três vezes acima do acordado com a Comissão Europeia.

 

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