Guedes reage a ação do MPF

Fundo BR Educação, criação do "Posto Ipiranga", deu prejuízo de R$ 115 milhões ao BNDES

O economista Paulo Guedes, principal assessor econômico do candidato Jair Bolsonaro, do PSL, a quem trata de “Posto Ipiranga”, por ter as respostas para assuntos econômicos, o que o credencia a comandar o superministério da Economia, manifestou ontem, em nota de seus advogados sua “perplexidade” com a abertura de investigação pelo Ministério Público Federal, em Brasília, por supostas fraudes em seus negócios com fundos de pensão vinculados a estatais durante os governos do PT.

“Causa perplexidade que, às vésperas da definição do pleito presidencial, tenha sido instaurado um procedimento para apurar fatos apontados por um relatório manifestamente mentiroso. Resta claro que essa iniciativa é uma afronta à democracia, cujo principal objetivo é o de confundir o eleitor”, diz o comunicado enviado ao jornal Folha de S. Paulo, que divulgara na edição de ontem as acusações do MPF.

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Na recessão de 2015, muitos investimentos desvalorizaram na carteira do BNDES, mas nenhum gerou tanta perda como o BR Educação (Foto: Reprodução)

No Procedimento Investigatório Criminal (PIC) o MPF acusa o economista por suspeita de crimes de gestão fraudulenta e temerária à frente de fundos de investimentos (FIPs) que receberam R$ 1 bilhão, entre 2009 e 2013, de fundos de pensão ligados a empresas públicas. Guedes é também acusado de emissão e negociação de títulos imobiliários sem lastros ou garantias. Entre os fundos de pensão que repassaram valores aos FIPs administrados por Guedes estão a Funcef, da Caixa, Postalis, dos Correios, Previ, do Banco do Brasil e BNDESPar, este fundo de investimento do BNDES. À época dos fatos apurados, os fundos eram geridos por pessoas indicadas pelo PT e PMDB.

Relatórios da Previc

A investigação foi aberta com base em relatórios da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) que apontam indícios de fraudes nos aportes feitos pelos fundos de pensão em dois fundos de investimentos criados pela BR Educacional Gestora de Ativos, empresa dirigida por Paulo Guedes. A investigação é conduzida pela força-tarefa Greenfield, responsável por apurar desvios nos principais fundos de pensão do país.

Segundo os relatórios da Previc, os aportes nos FIPs podem ter gerado ganho excessivo a Guedes. Em um dos FIPs, que recebeu cerca de R$ 400 milhões, Guedes ganhou 1,75% sobre o valor aportado pelos fundos de pensão logo após o investimento.

Raposa no galinheiro

Em viagem de campanha a Pernanbuco, o presidenciável do PT, Fernando Hadad, voltou ontem a atacar o guru econômico de seu adversário no 2º turno, Jair Bolsonaro (PSL), em entrevista à rádio Caruaru. Reiterando que não pretende colocar um banqueiro no Ministério da Fazenda, caso vença este pleito, o ex-prefeito provocou o capitão da reserva, dizendo que colocar o economista Paulo Guedes nessa pasta, conforme Bolsonaro já propagou, é “botar a raposa pra cuidar do galinheiro”. E emendou: “Eu não farei isso, não vou colocar um banqueiro como ministro da Fazenda, terei um ministério comprometido com o povo.”

Fundo do BNDES vira pó

Outro grande investimento de recursos públicos nos fundos geridos por Paulo Guedes gerou prejuízos de mais de R$ 100 milhões ao BNDES. No balanço do banco nacional de desenvolvimento, em dezembro de 2013, para um total de R$ 2.021,134 milhões aplicados pela instituição de fomento, R$ 91,812 milhões foram investidos no BR Educacional. Em 2014, o valor do investimento foi reduzido para R$ 31,054 milhões, uma desvalorização de 66,17%. E em 2015, segundo o balanço do BNDES, o investimento vira um traço. Ou seja, no jargão do mercado de capitais vira pó. Corrigido pela taxa Selic o prejuízo ficaria acima de R$ 115 milhões. Outro investimento que virou pó foi o Fundo de Investimentos Cia. Paulista de Trens Metropolitanos (perda de R$ 5,156 milhões).

A carteira do BNDES encolheu R$ 218,6 milhões de 2013 para 2015. Mais de 50% foi causada pelas perdas da BR Educação. Nenhum outro investimento teve resultado tão negativo. Pelas regras do BNDES, anunciadas no balanço, o investimento tem baixa quando perde o grau de risco ou é considerado como produto de fraude.