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Economia

Uma usina no meio do caminho

Apesar das dificuldades fiscais, governo tenta viabilizar usina nuclear Angra 3, que deve custar R$ 17 bilhões

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O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, defendeu ontem que o governo encontre uma solução para terminar a construção da Usina Nuclear Angra 3, um imenso canteiro de obras parado desde 2015. O Tribunal de Contas da União, que liberou a continuação do projeto no mês passado, estima que para concluir a usina serão necessários cerca de R$ 17 bilhões. A situação da usina de Angra dos Reis foi tema da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ontem plea manhã

“Não estou discutindo mais se Angra é viável ou não. Angra é viável. Não tem como voltar atrás”, afirmou Pepitone. O diretor advogou pela estruturação de um modelo com a participação de todos os atores para viabilizar o projeto. Tal passaria por um esforço de orçamento e, ao mesmo tempo, adaptações nos preços da energia produzida, a fim de tornar o negócio mais atraente para concessionários.

A Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras que é responsável pela operação das usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2 e a construção de Angra 3, defende um reajuste na tarifa da usina como forma de viabilizar a conclusão da usina. Atualmente, o valor da energia está em cerca de R$ 240 por megawatt-hora. A estimativa da Eletrobras estima que o empreendimento seria “minimamente” viável com o patamar de tarifa de R$ 400 por MWh. O problema é que este preço já supera em muito os valores verificados em leilões de energia eólica e solar que vem sendo realizados desde 2015.

A discussão sobre os preços também afeta as outras duas usinas, Angra 1 e 2, já em operação. O diretor da Aneel disse que essa discussão tem de envolver todos os segmentos para que uma decisão seja tomada com segurança. “Assim como tomamos as decisões na Aneel, é feita uma proposta, abre-se uma audiência pública, se promove um debate. A melhor solução técnica há de aparecer, de ser maturada”, disse Pepitone.

Em paralelo, o governo federal procura investidores para o empreendimento. Em junho, a Eletrobras firmou um memorando de entendimento com a estatal de energia francesa Électricité de France (EDF) para promover cooperação na área nuclear. Maior empresa de energia elétrica e nuclear da Europa, a EDF tem 58 plantas nucleares só na França.

As empresas estudam possibilidade de a EDF colaborar com a retomada e conclusão de Angra 3 e também no desenvolvimento de novas usinas nucleares no Brasil. “Além disso, a companhia francesa contribuirá com sua expertise para a operação de Angra 1 e Angra 2 na prevenção do envelhecimento de materiais, na identificação do risco de obsolescência de equipamentos, em manutenção e em treinamento”, informou a Eletrobras.

O cronograma utilizado pela Eletronuclear prevê que as obras serão retomadas em junho de 2020 e concluídas em janeiro de 2026. A capacidade prevista da usina é de 1.405 megawatts. Isso significa energia suficiente para abastecer cerca de 5 milhões de residências. Antes de dar aval à continuação do projeto, o tribunal analisou processo tratando de indícios de irregularidades na licitação e na execução contratual dos projetos executivos da usina, a cargo da Engevix, empresa investigada pelo Ministério Público Federal (MPF), na Operação Lava Jato.



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