Dólar chega a subir 1,4%, mas alta perde força com expectativa por Datafolha

Após três dias de queda, o dólar voltou a subir nesta quinta-feira, 4, e chegou a avançar 1,43%, mas o movimento perdeu fôlego perto do fechamento e a moeda acabou subindo apenas 0,08%, para R$ 3,8831. O dia foi de expectativa pela nova pesquisa de intenção de voto do Datafolha, prevista para ser divulgada na noite desta quinta-feira, que também terá debate entre os presidenciáveis. No exterior, a moeda americana subiu ante países emergentes, como África do Sul, Argentina e Turquia, o que também contribuiu para pressionar o dólar no mercado brasileiro. A moeda americana à vista acumula queda de 4,14% na semana e 4,14% no mês.

O dólar abriu a quinta-feira em alta, influenciado pela piora externa, em meio ao temor de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode ter que elevar os juros de forma mais intensa. Com isso, o retorno ("yield") do título do Tesouro dos Estados Unidos de 10 anos atingiu o patamar de 3,20%, o maior desde 2011. Com a maior cautela internacional, o risco Brasil medido pelo CDS, derivativo de crédito que protege contra calotes na dívida soberana, subiu de 243 pontos-base na quarta-feira, para 246. Pesquisa do Ibope divulgada na noite de quarta, que mostrou Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) tecnicamente empatados no segundo turno, também contribuiu para a maior cautela dos investidores.

Na máxima do dia, a moeda americana bateu em R$ 3,9355, no começo da tarde. Em seguida desacelerou a alta em meio a especulações com a pesquisa do Datafolha e das medidas iniciais de um eventual governo de Bolsonaro, que pode incluir privatizações, segundo apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O operador de câmbio da corretora Spinelli, José Carlos Amado, disse que a expectativa do mercado é que Bolsonaro suba no levantamento do Datafolha. Outro fator que será monitorado de perto são os cenários para o segundo turno.

"Do ponto de vista dos mercados financeiros, Bolsonaro provavelmente seria o menor mal, já que seu assessor econômico o economista Paulo Guedes favorece as privatizações, bem como o planejamento de uma reforma urgentemente necessária da Previdência e do sistema tributário", afirmam os estrategistas do banco alemão Commerzbank nesta quinta-feira. Já Haddad, destaca relatório enviado a clientes, poderia revogar reformas aprovadas pelo governo de Michel Temer. O real, se a eleição for para o segundo turno, deve permanecer pressionado, sobretudo se a incerteza de quem vencerá seguir alta, avalia o Commerzbank.