Bolsas da Europa fecham em alta com otimismo em relação a orçamento na Itália

Os mercados acionários da Europa fecharam em alta o pregão desta quarta-feira, 3, com bom humor diante da indicação do governo italiano de vai reduzir o déficit público após 2019. Já em Londres, a primeira-ministra Theresa May pediu união de seus correligionários em torno das suas propostas para o Brexit. O índice Stoxx-600 encerrou o dia em alta de 0,50%, aos 383,84 pontos.

As praças europeias reagiram com bom humor à informação de que o governo da Itália reafirmou a pretensão de ter um déficit orçamentário de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, mas especialmente à indicação de que planeja reduzi-lo nos dois anos posteriores.

"O número de 2,4% está confirmado em 2019. Para 2020 e 2021, estamos pensando em redução da dívida e crescimento do PIB", afirmou nesta quarta Luigi Di Maio, vice-premiê do país. E acrescentou: "não vamos recuar".

Com isso, o índice FTSE MIB, de Milão, registrou alta de 0,84%, aos 20.736,01 pontos, liderando os ganhos entre as bolsas europeias, com destaque para a alta no setor financeiro. As ações do Intesa Sanpaolo subiram 0,55%, enquanto as do Banco BPM ganharam 2,13% e as do UniCredit avançaram 0,72%.

Mesmo assim, as tensões entre o país e a União Europeia (UE) permanecem à medida que autoridades trocam farpas. De um lado, o Comissário Econômico da União Europeia, Pierre Moscovici, afirmou que os italianos "não são estúpidos" a ponto de desconhecerem as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

Já Matteo Salvini, vice-premiê italiano, disse sobre o bloco comum que "se eles pararem de fazer insultos, estou calmo", além de sugerir que as pessoas pesquisassem em sites de busca "Juncker sóbrio" e "Juncker cambaleando por aí (bêbado)", em referência ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Em solo britânico, investidores acompanharam a convenção do Partido Conservador, onde Theresa May tentou reforçar o tom de união ao pedir que seus correligionários se juntem em torno de sua proposta para a saída do Reino Unido da UE, ao mesmo tempo em que membros do partido se mobilizam para pedir sua renúncia. Em Londres, o FTSE 100 ganhou 0,48%, aos 7.510,28 pontos.

Já em Paris, o CAC 40 registrou alta de 0,43%, aos 5.491,40 pontos, ao passo que o Ibex 35, de Madri, subiu 0,60%, aos 9.361,10 pontos, e o PSI 20, de Lisboa, fechou com ganho de 0,04%, aos 5.294,32 pontos.

Agentes também acompanharam indicadores do continente. Foi divulgado nesta quarta o índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) da zona do euro, que recuou de 54,5 em agosto para 54,1 em setembro, ante estimativas de uma queda um pouco menor (54,2), na leitura da IHS Markit. O indicador é o composto, referente a serviços e indústria.

Já na Alemanha, onde a Bolsa de Frankfurt não operou devido a um feriado local, o PMI recuou 55,6 para 55 no mesmo período de comparação, ante projeção de 55,3, e, no Reino Unido, de 54,3 para 53,9, pouco maior que a expectativa de 53,8, ambos na leitura da IHS Markit.

Além disso, as vendas no varejo da zona do euro cederam 0,2% de julho para agosto, ante projeções de alta de 0,2%, informou a agência oficial de estatísticas da União Europeia, a Eurostat.