Dólar recua para R$ 3,9304 e Ibovespa tem maior alta diária desde 2016

O dólar caiu 2,47% e fechou nesta terça-feira, 2, em R$ 3,9304. Foi o nível mais baixo desde 17 de agosto (R$ 3,9142) e a maior queda diária desde 8 de junho, quando caiu 5,35% após o Banco Central e o Tesouro anunciarem ação conjunta para conter a disparada do câmbio.

Operadores ressaltam que foram investidores estrangeiros que mais venderam dólares no mercado nesta terça-feira, sobretudo para aplicar recursos na bolsa. Com isso, o Ibovespa, principal índice acionário brasileiro, superou os 81 mil pontos e ao longo do pregão chegou a subir 4%. A oscilação foi a maior alta diária da bolsa desde novembro de 2016. Na mínima do dia, o dólar bateu em R$ 3,9059 e, na máxima, logo na abertura, chegou a R$ 3,9980.

O real foi a segunda moeda que mais ganhou valor hoje ante o dólar, atrás apenas do peso argentino, contrariando outras divisas de emergentes, que perderam terreno ante o dólar. As eleições foram o principal motor do comportamento do câmbio hoje, com as mesas de operação repercutindo os resultados da pesquisa eleitoral do Ibope, que mostrou o candidato Jair Bolsonaro (PSL) subindo quatro pontos e Fernando Haddad (PT) sem oscilar e ainda com aumento de sua taxa de rejeição.

No exterior, o risco Brasil, medido pelo Credit Default Swap (CDS), derivativo de crédito que protege o investidor contra calotes na dívida soberana, caiu 5%, para 252,12, o menor desde 20 de agosto, quando bateu em 246 pontos. Na noite de hoje, o Datafolha divulga novo levantamento e as mesas de operação vão monitorar se a quebra do sigilo de parte da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci teve alguma repercussão nas intenções de voto de Haddad.

O sócio-diretor da Via Brasil Serviços, Durval Corrêa, afirma que o mercado ficou muito comprado em dólar com a expectativa pelas eleições. Quando as pesquisas começaram a mostrar que a disputa se concentraria em Haddad e Bolsonaro e o petista começou a sinalizar um tom mais moderado, essas posições começaram a ser desmontadas. Um dos indícios foi que os investidores estrangeiros passaram de uma posição comprada para vendida no mercado futuro de dólar. No pregão de hoje, porém, ele vê a queda no dólar, que chegou a 3% ao longo do dia, como "exagerada", havendo risco de reversão nos pregões desta semana, dependendo do que mostrar as próximas pesquisas.

Nesta terça-feira, o cenário externo acabou não ajudando o mercado doméstico, com o dólar subindo ante várias moedas de emergentes, como Turquia, África do Sul e o peso mexicano, e países desenvolvidos, como os da zona do euro. Preocupações com a Itália, após elevar sua meta de déficit no orçamento, seguem aumentando a aversão ao risco na Europa.