Jornal do Brasil

Economia

Desafios do novo presidente

Rombos fiscais pedem mais tributação sobre renda e lucros e juros mais baixos para consumo

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

O contingente de 12,7 milhões de desempregados já seria motivo de preocupação, numa economia que ainda custa a recuperar o terreno perdido na maior recessão da história do país. Mesmo com a retomada recente, ainda há muito terreno a ser recuperado. Ao apresentar, esta semana, o Relatório de Inflação do 3º trimestre, o Banco Central divulgou gráfico (ao lado) que mostra o Produto Interno Bruto (PIB) bem abaixo da média de 2012.

Todas as previsões mais otimistas sobre a retomada do crescimento da economia (como as do Departamento Econômico do Bradesco) indicam que o PIB só conseguirá voltar ao nível anterior à crise em 2021. Isso seria no fim do mandato do novo presidente. Medida em dólar, a renda per capita só recuperam os US$ 13 mil de 2011, no final da próxima década.

Os dados do IBGE sobre o mercado de trabalho apontaram o real tamanho do estrago feito pela recessão: nada menos que 27,5 milhões de brasileiros aptos a participar do mercado de trabalho (mais do que o dobro dos desempregados) estavam sendo subaproveitados ou subutilizados. Não encontravam emprego à altura de sua capacidade, ou dedicaram menos tempo ao trabalho do que poderiam (e necessitavam) para sustentar o orçamento familiar.

Em economia, há sempre o outro lado da moeda. Menos gente trabalhando e com intensidade menor do que desejaria e o mercado já comportou é sinal de muita ociosidade nos segmentos da produção. A indústria com um todo só ocupa, em média, 68% da sua capacidade instalada na produção. Tecnicamente o nível ótimo de aproveitamento fica na faixa de 87% a 94%. Ou seja, há espaço para a economia crescer, se houver um clima de confiança e motivação de política adequadas pelo novo governo, sem que sejam geradas pressões inflacionárias. O país do pré-sal terá de fazer guinada na matriz energética (base da arrecadação) para novas fontes renováveis.

 

Consumo e endividamento

No consumo, também deprimido, após o desastre de 2015 e 2016, quando o consumo das famílias encolheu mais de 7%, a questão é mais complexa. Para começar, o índice de endividamento das famílias está elevado, vai dos filhos até os avós que são instados pela família a levantar créditos a juros mais baixos e a prazos mais longos (até sete anos) pelo crédito consignado para aposentados. Num país com níveis de renda baixo, o consumo se faz via crédito. Mas o nível das taxas de juros do principal instrumento de compra - o cartão de crédito - raia a indecência e leva 63 milhões ao SPC. Em agosto, o Banco Central indicou juros médios em alta para 274% ao ano no cartão de crédito (rotativo regular e o não regular, onde os juros passam de 300%, sob a complacência do BC).

Juros altos e concentração bancária tolhem o crescimento. Vejam-se as taxas apuradas pelo BC para o crédito pessoal (não consignado) entre os dias 10 e 14 de setembro. Entre os grandes bancos o menor juro anual era do Banco do Brasil (66,52%), seguido do Itaú (70,805), Santander (70,95%), CEF (71,39%) e Bradesco (95,73%). Os campeões dos juros altos eram o Agibank (patrocinador do Corinthians (599,53%), o BMG (645,31%), a Crefisa, do Palmeiras (831,35%) e o JBCred, financeira paulista (1.681,22%). Sem qualquer relação com o JB, que defende juros baixos e ampla concorrência bancária.



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