Dólar e cautela com quadro eleitoral puxam correção e juros fecham em alta

Os juros futuros fecharam em alta nesta sexta-feira, 28, e nas máximas nos vencimentos intermediários e longos, recompondo parte dos prêmios que haviam sido devolvidos nos últimos dias. O ajuste foi influenciado pela cautela com o quadro eleitoral e pelo avanço do dólar. Diante dos vários eventos programados até o começo da próxima semana, entre eles a pesquisa Datafolha esta noite, as manifestações contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL) amanhã e o debate entre presidenciáveis na Rede Record no domingo, o mercado corrigiu um pouco da euforia recente.

Houve um certo atraso na definição dos ajustes da sessão regular em função de fatores técnicos, segundo a B3. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 encerrou em 8,32%, de 8,276% no ajuste de ontem, e a do DI para janeiro de 2021 terminou na máxima de 9,58%, de 9,465%. A taxa do DI para janeiro de 2023 subiu de 10,964% para fechar na máxima de 11,12%. O DI para janeiro de 2025 encerrou na máxima de 11,78%, de 11,613%.

O dólar, que ontem fechou em R$ 3,9973, hoje volta a superar os R$ 4 também puxado pelo movimento global de fortalecimento da moeda, e acaba ajudando a pressionar a curva doméstica. Às 16h31, a moeda subia 1,13%, aos R$ 4,0423, no segmento à vista.

Getúlio Ost, trader do Banco Sicredi, vê como natural, e até comedido, esse ajuste em alta das taxas hoje, dados os riscos do cenário eleitoral. "Esperava reação mais adversa ao noticiário, a curva está até abrindo pouco", afirmou, referindo-se a uma sondagem privada de hoje indicando estagnação nas intenções de voto em Bolsonaro e avanço relevante de Fernando Haddad (PT).

Além disso, trazem desconforto matérias negativas para a campanha do candidato do PSL publicadas na imprensa, sobre os atritos com o vice da chapa, General Hamilton Mourão, e a capa da revista Veja desta semana. O texto explora o caso de sua ex-mulher, Ana Cristina Valle, que, entre outras afirmações, o acusa de agressividade e ter furtado seu cofre. Mourão, ontem em palestra a empresários, criticou o pagamento de 13º salário e adicional de férias a trabalhadores e teria irritado Bolsonaro. O candidato deve ter alta no fim de semana, caso se mantenham as condições clínicas atuais, informou o Hospital Albert Einstein.

Nos demais ativos, a bolsa estava em baixa de 1,03%, aos 79.179,38 pontos, às 16h39.