Dólar sobe com tensão pré-pesquisas, notícias sobre Bolsonaro e déficit italiano

O dólar abriu e segue em alta, tendo chegado a valer mais de cinco centavos na máxima intraday em relação ao último fechamento. Um misto de notícias internacionais e domésticas - neste caso, eleitorais - justifica a valorização da moeda ante o real após o fechamento abaixo dos R$ 4 pela primeira vez em mais de um mês.

Nesta sexta-feira, 28, de formação de Ptax de fim de mês, agentes do mercado relatam como vetores para a alta o agravamento da crise fiscal na Itália e a saída de ativos de risco, ilustrada pela desvalorização das bolsas na Europa e pelos índices acionários futuros em Nova York.

Igualmente, pesa o noticiário negativo sobre o líder nas pesquisas eleitorais Jair Bolsonaro (PSL), presente em reportagens exclusivas das revistas Veja e Época, assim como em todos jornais por conta das declarações polêmicas do candidato a vice General Mourão na quinta-feira.

"A pesquisa Datafolha também exige alguma cautela", afirmou um operador.

O levantamento será divulgado nesta sexta à noite e, à zero hora do domingo, 30, haverá divulgação de pesquisa CNT/MDA.

A estrategista de câmbio do banco Ourinvest, Fernanda Consorte, também menciona o adiamento da alta hospitalar de Jair Bolsonaro (PSL) em razão de uma infecção bacteriana.

"O mercado deveria começar a se perguntar o quão fragilizado ele está para o segundo turno", diz Fernanda.

Um operador de um grande banco estrangeiro observa que já era esperada volatilidade no mercado de câmbio nesta sexta-feira por causa da formação da Ptax.

Às 10h28, o dólar à vista subia 0,58% aos R$ 4,0210. O contrato para novembro avançava 0,15% e valia R$ 4,0205. O Dollar Index subia 0,44%. Ante as emergentes, os sinais do dólar eram mistos.

Sobre a Itália, a Capital Economics traçou um cenário mais pessimista que o apresentado na quinta na proposta orçamentária do governo italiano. A proposta projeta um déficit fiscal de 2,4% do PIB do país em 2019, o triplo do planejado pelo governo anterior, em uma derrota para o ministro da Economia, Giovanni Tria.

Nas contas da consultoria, esse déficit deve ser maior que esse porcentual. Os analistas da Capital Economics projetam que o juro do bônus do governo da Itália, o BTP, continue a subir.