Bolsas da Europa fecham em alta ainda de olho em EUA-China, com Brexit no radar

Os mercados acionários da Europa fecharam em alta o pregão desta quarta-feira, 19, sustentando a tendência de alta registrada na terça-feira, 18, em meio ao anúncio de novas tarifas mútuas entre Estados Unidos e China, também com as negociações do Brexit no radar. O índice Stoxx-600 registrou alta de 0,33%, a 379,99 pontos.

O índice FTSE 100, de Londres, fechou as negociações em alta de 0,42%, aos 7.331,12 pontos, enquanto o DAX, de Frankfurt, subiu 0,50%, para 12.219,02 pontos. Em Paris, o CAC 40 avançou 0,56, aos 5.393,74 pontos, ao passo que em Milão o FTSE MIB ganhou 0,25%, para 21.280,78 pontos. Nos ibéricos, o Ibex 35, de Madri, registrou alta de 0,41%, para 9.486,30 pontos, e o PSI 20, de Lisboa, avançou 0,22%, aos 5.373,06 pontos.

A interpretação de que as novas tarifas anunciadas pelo governo americano a importações chinesas, alvo de retaliação de Pequim, seriam piores se mantém entre as praças europeias. Analistas da Capital Economics apontam que o alívio nas bolsas mesmo em meio à escalada das tensões entre as duas maiores economias do mundo se deve não só ao fato de que novas tarifas já estavam precificadas, mas também porque se revelaram mais baixas do que o sugerido anteriormente, que havia sido de 25%.

Enquanto isso, as atenções também continuam voltadas ao processo de divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia (UE). Uma fonte do alto escalão afirmou que a primeira-ministra britânica, Theresa May, vai rejeitar nesta quarta a oferta "aprimorada" do negociador-chefe do bloco comum para o Brexit, Michel Barnier, para a fronteira entre a Irlanda do Norte e a Republicada Irlanda, reportou o jornal britânico The Times.

Já o secretário financeiro do Tesouro do Reino Unido, Mel Stride, afirmou que as propostas de May para o Brexit registradas no chamado Livro Branco não prevalecerem nas negociações com a UE e que há "perigo" de uma nova consulta popular sobre o tema.

O ministro do Brexit, Dominic Raab, por outro lado, reforçou que o governo britânico deixou claro que não vai realizar uma segunda votação em um documento endereçado ao porta-voz do Partido Trabalhista para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), Keir Starmer.

Investidores também acompanharam a fala do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que defendeu a criação de um "instrumento fiscal" alternativo ao Mecanismo de Estabilidade Europeu que seja "vultoso" e complemente a política monetária como fonte de estabilidade macroeconômica tanto na instância da zona do euro quanto, "crucialmente", em cada um dos Estados-membros.

Em um dia de poucos indicadores, o destaque foi o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido, que subiu 0,7% em agosto ante julho, o que superou a expectativa de alta de 0,5% de analistas. Na comparação anual, o CPI teve alta de 2,7% em agosto, ante previsão de avanço de 2,5% dos economistas.