Jornal do Brasil

Economia

Greve descarrilha previsões

IBGE revela queda de 2,2% nos serviços em julho, que surpreende mercado, Itaú e Bradesco

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

Os efeitos da greve dos caminhoneiros - iniciada na terceira semana dfe maio e encerrada no começo de junho, não apenas desorganizou os fluxos de abastecimento de alimentos e combustíveis para os consumidores de todo o país, e paralisou segmentos da indústria e do comércio por falta de insumos necessários à produção. Continuou afetando, em julho, o setor de serviços, que responde por mais de 73% do PIB e é o principal empregador da economia. Em julho a indústria caiu 0,2% e o comércio 0,5%.

A queda de 2,2% anunciada ontem pelo IBGE derrubou todas as previsões dos analistas e dos departamentos econômicos dos dois maiores bancos privados brasileiros. O Bradesco previa expansão de 2% nos serviços em julho de 2018 sobre julho de 2017: deu queda de 0,3%, segundo o IBGE. O Itaú-BBA chegou a prever em análise publicada ontem, antes do anunciou do IBGE, crescimento de 0,2% no PIB (que substitiui o antigo PIBIU - PIB Itaú Unibanco) calculado pelo departamento econômico do Itaú Unibanco para o mês de julho. Depois que saiu o 3º resultado negativo do IBGE, o Itaú fez um adendo no texto com a ressalva. Mas previu crescimento de 0,4% no PIB Itaú em agosto.

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Volume de serviços: mensal x acumulado nos últimos 12 meses (Foto: JB)

Em entrevista, o coordenador da Pesquisa Mensal de Serviços, do IBGE, Rodrigo Lobo, explicou que pode ter havido superestimação do comércio e da indústria quanto à reposição de estoques após a greve dos caminhoneiros. Assim, após queda de 10,4% em maio, o segmento de transportes cresceu 15,5% em junho e voltou a encolher 4% em julho, surpreendendo o mercado e os departamentos econômicos. Outro fator de depressão do movimento do setor de serviços foi causada pela Copa do Mundo. O turismo foi outra das atividades mais prejudicadas pelo acompanhamento dos jogos da Copa. A principal capital turística do Brasil foi a que registrou maior queda em julho (7%) o que afetou o movimento de bares, restaurantes e até o movimento das companhias aéreas. Foi a maior queda desde a série apurada pelo IBGE, em janeiro de 2011.

Outros resultados negativos importantes vieram de São Paulo (-2,1%) e Minas Gerais (-1,9%). Já os principais desempenhos positivos vieram do Ceará (2,3%) e da Bahia (0,9%).

Apesar de, no acumulado do ano, o setor de serviços registrar queda de 0,8% até julho, contra igual período do ano passado e redução de 1% nos últimos 12 meses, o IBGE observa que a recuperação não foi interrompida, pois comparativamente à variação de julho sobre julho (-08%) se compara ao fundo fo poço de -5,1% registrado em abril de 2016 (contra abril de 2015). O índice de atividades turísticas caiu 1,7% em julho, eliminando o avanço de 0,9% de junho.

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Os serviços olhados de perto

O setor de serviços, que abrange também o comércio, representa mais de 73% do Produto Interno Bruto (PIB). O setor de serviços é o maior empregador da economia e sua demanda está ligada à renda das famílias. Uma alta de alimentos ou do dólar, afeta o equilíbrio. Se o comércio responde só por menos de 13% desse bolo, os serviços em si, como restaurantes, transportes, telecomunicações e entretenimento, dão conta da maior parte da riqueza envolvida, 60% ou mais.

De acordo com o IBGE, em julho, só o grupo de Serviços prestados às famílias cresceu de 3,1%. Isso envolve hotelaria e alimentação, mas, também, serviços como cabeleireiro, lavanderia, academia de ginástica e serviços domésticos. Em 12 meses há queda de 1,2%. O grande tombo veio do grupo Transportes e Correio, com retração de 4,0% em julho frente a junho. Com o impacto geral na economia provocado pela greve dos caminhoneiros, o ritmo dos negócios deu uma freada e gerou baixa de 28,6% no transporte aéreo, afetado também pela alta do dólar, que desestimulou as viagens do consumidor, no mês da Copa. Em 2018, o setor de transportes ainda tem alta de 0,7% e de 2,8% nos últimos 12 meses. Depois, vêm os Serviços de tecnologia da informação e comunicação (televisão, cinema, internet), com uma queda de 2,2%. Fecha a lista o grupo Serviços profissionais, administrativos e complementares, com uma retração de 1,1% em julho e 3,8% em 12 meses.



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