Jornal do Brasil

Economia

Mercado prevê dólar a R$ 3,90 e juros suaves

Grupo que mais acerta previsões da Pesquisa Focus prevê Selic abaixo de 8% em 2019

Jornal do Brasil GILBERTO MENEZES CÔRTES, gilberto.cortes@jb.com.br

O relatório Focus, apurado na semana passada junto a uma centena de instituições financeiras, consultorias e institutos de pesquisa e divulgado ontem pelo Banco Central mostrou claro divisor de águas na economia após a greve dos caminhoneiros, no fim de maio, que se arrastou para junho, com os impactos ampliados no câmbio, após as crises de Argentina e Turquia.

O dólar pulou da faixa dos R$ 3,50 em maio-junho para 3,70% em julho e 3,90% em agosto, quando chegou a R$ 4,21, na especulação que antecede o fechamento do contrato futuro de dólar na B3, com vencimento no último dia útil de cada mês. Ontem fechou com leve queda de 0,04%, a R$ 4,0832, faixa em que está estacionado neste começo de setembro.

A dúvida é quanto à evolução até antes e depois das eleições. O mercado, segundo a pesquisa Focus, espera que a taxa feche em dezembro a R$ 3,80. Mas as cinco instituições que mais acertam as previsões (Top 5), após o impacto do atentado à faca ter beneficiado o candidato Bolsonaro, preferido do mercado financeiro, diante do fraco avanço de Alckimin, reduziram a aposta de R$ 3,80 (na previsão de médio prazo, feita há três meses), para R$ 3,50. No dia 31 de agosto apostavam em R$ 3,60.

A escalada do dólar pressionou os preços administrados, principalmente energia, com a Bandeira 2 vermelha e os combustíveis da Petrobras, o que gerou a insatisfação dos caminhoneiros e os 10 dias de paralisações que derrubaram o crescimento da economia. Em maio, antes da escalada do dólar, as aprojeções eram de um IPCA (a inflação oficial) na faixa de 3,60% a 3,70% em 2018, com alta de 5% a 5,5% nos preços administrados.

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Grupo que mais acerta previsões da Pesquisa Focus prevê Selic abaixo de 8% em 2019 (Foto: JB)

Na pesquisa fechada em 6 de setembro, o IPCA caiu de 4,16% para 4,05% e o aumento médio dos preços administrados ficou mantido em 7,20%. O Itaú, que prevê alta de 0,40% no IPCA em setembro, reajustou a projeção de inflação de 4,19% para 4,4% para este ano. O Bradesco projeta o dólar a R$ 3,90 e IPCA de também de 4,4%.

O mais frustranste foi a evolução declinante das projeções do Produto Interno Bruto (PIB). No primeiro trimestre, projetava-se crescimento próximo a 3% (em abril do ano passado, o Itaú chegou a projetar alta de 3,7%). A pesquisa Focus reduziu o PIB para 1,4%, mais que os 1,3% na previsão reafirmada pelo Itaú-BBA, no último dia 6 de setembro (o Bradesco é mais pessimistas e espera 1,1%).

Juros menores

Mas, em economia, há sempre o outro lado da moeda. Em função da desidratação do crescimento econômico, já ficou sepultada no mercado financeiro a expectativa de que o Banco Central viesse a elevar ainda este ano a taxa básica de juros (Selic, atualmenmte em 6,50% ao ano, como reação à crise provocada no ataque especulativo às moedas emergentes, à frente o peso argentino, a lira turca e o peso colombiano.

O mercado como um todo aposta que a Selic fecha este ano em 6,50% e escala até 8,00 em dezembro de 2019, ficando neste patamar até dezembro de 2020. Pois em análise feita dia 6 de setembro, o Bradesco já admitiu que se as reformas avançarem no novo governo e o câmbio cair, vai demorar a alta da Selic, O Itaú aposta em 8%0 para dezembro de 2019, mas o grupo das Top 5, já vê espaço para o Banco Central segurar mais a escalada dos juros em 2019. E projeta a Selic em 7,75% em dezembro.



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