Jornal do Brasil

Economia

Festival de cervejas dá pressão ao Pier Mauá

Mondial de la Bière oferece, a partir de quarta-feira, mais de mil rótulos de 120 cervejarias do país e do mundo

Jornal do Brasil SÔNIA APOLINÁRIO, sonia.apolinario@jb.com.br

Um dos principais eventos cervejeiros do país, o Mondial de la Bière dá início à sua sexta edição, no Rio, na quarta-feira, às 16h. A expectativa é que, até domingo, cerca de 50 mil pessoas circulem pelos 17 mil metros quadrados de três armazéns do Pier Mauá, na Saúde. Mais de mil rótulos serão colocados à disposição do público por 120 cervejarias, entre nacionais e do exterior.

O Mondial Rio acontece quatro meses após a realização da primeira edição do evento, em São Paulo. Desta vez, a versão carioca ficará desfalcada de tradicionais participantes da cidade como as cervejarias 2cabeças, 3 cariocas, Three Monkeys, Noi e Bierteria. Sem eles, a fila de espera andou e várias marcas farão sua estreia no evento como, por exemplo, Matisse, Brewlab, Dream Bier e Zer09. Cervejarias de outros estados também participam pela primeira vez do festival de cerveja artesanal, como a mineira Koala San Brew e as paulistas Dogma e Doktor Brau. Do exterior, marcarão presença, dentre outras, Chimay, Dellirium e Stone Brewing.

Paga-se para entrar e também para beber, no evento. O ingresso cervejeiro solidário acrescido de um quilo de alimento não perecível garante a meia entrada (R$ 66,00). As doações serão encaminhadas a seis instituições. No ano passado, o evento arrecadou cerca de 40 toneladas de alimentos.

Para o público, o parque de diversões cervejeiro se completa com uma programação formada por 30 shows musicais. Para as marcas, o Mondial representa uma vitrine onde todos querem estar, mesmo que isso represente prejuízo financeiro.

“Sabemos que o Mondial não é para ganhar dinheiro, mas para dar visibilidade à a marca. É um balcão de negócios e networking”, afirma Flávio Lima, sommelier da mineira Antuérpia, cervejaria com presença consolidada no mercado carioca e que participa do Mondial desde a primeira edição.

A Antuérpia também marcou presença na versão paulista e aprovou. No Rio, a cervejaria vai repetir, com pequena diferença, o estande de 18 metros quadrados que criou para o evento em São Paulo. Serão 20 torneiras, sendo seis para os lançamentos.

Uma cervejaria gasta cerca de R$ 12 mil para participar do Mondial. Esse valor é referente ao custo do espaço e decoração. Do total das vendas, 27% são repassados para a organização do evento. É preciso vender, pelo menos, 600 litros de chope para “empatar” as despesas.

Estande coletivo

Uma porta de entrada para quem não tem tanto capital para investir é o estande coletivo. Instituições como Sebrae e SindBebidas – Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas são alguns deles. Este ano, a Cervejaria Piedade dividirá seus 18 metros quadrados entre três das suas marcas ciganas (Veneno, Vírus Bier e Fala!) com a cervejaria Máfia. Ao todo, serão 18 torneiras à disposição do público.

Quem, este ano, realiza o “sonho do estande próprio” é a Araribóia. No ano passado, eles participaram do espaço do Sebrae:

“Estaremos em um estande pequeno, porém completamente nosso e, principalmente, trazendo a nossa identidade. Acho normal ter receio do retorno financeiro de um evento onde o investimento é tão alto. No ano passado não tivemos prejuízo, mesmo participando de forma tão humilde, sem muita visibilidade. Porém, realmente, não deu para ganhar dinheiro”, afirma Alisson Christi, mestre cervejeiro da marca que fará um lançamento e apresentará novas versões de alguns rótulos, criados para o evento.

A Matisse vai estrear já em estande próprio. Mário Jorge, sócio da marca, aposta que terá lucro por conta do “alto potencial de vendas do evento”. Na sua opinião, são dois os principais desafios que terá que enfrentar: cumprir todos os requisitos determinados pela organização e decorar o estande. A também estreante Dream Bier já chega ocupando 18 metros quadrados. Fará um lançamento, bem como a Matisse.

Bernardo Couto, sócio da 2cabeças, contou que desistiu de participar do Mondial porque o evento “dá prejuízo”. “Sempre participamos, mas o evento foi mudando de formato e de valor. Caminha para ter grandes estandes e quem não faz some lá dentro”, comentou.

Dentre as grandes marcas, a Overhop, habitué do Mondial, terá um estande com 18 torneiras, sendo oito para lançamentos. A Mistura Clássica também estará com 18 torneiras em um estande que apresentará para o público a fábrica da marca, que fica em Angra dos Reis, Costa Verde Fluminense.

Segundo dados da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), existem cerca de duas mil cervejarias ciganas, no Brasil. No ano passado, foi registrado crescimento de 37,% no número de cervejarias artesanais.

O Rio Grande do Sul é o estado com o maior número de cervejarias: 142; seguido por São Paulo, 124; Minas Gerais, 87; Santa Catarina, 78; Paraná, 67 e Rio de Janeiro, 57. Cerca de 3.500 pessoas trabalham direta e indiretamente no Mondial de la Bière.

Tretas

O evento do ano passado foi marcado por alguns problemas. A máquina da Eyemobile, por não emitir comprovante de vendas, foi criticada pelo público e criou problemas com a prestação de contas entre os cervejeiros e a produção do Mondial. Este ano, o sistema de compras on line ficará por conta da Cashless/NETPDV.

Com novo fornecedor, o copo oficial do Mondial, que todos recebem quando entram no evento, voltou a ter as marcações mínima e máxima, respectivamente, de 100 ml e 200 ml. No ano passado, a marcação de 125 ml, na verdade, correspondia a 100 ml, o que provocou reclamações generalizadas.

 



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